Rolling Stone: Sim, ela pode! Britney Retorna (Dezembro 2008)
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Um ano depois de seu colapso em público, Britney está de volta ao trabalho e fora dos problemas. Mas o que esse retorno custou?

Existe um entendimento entre aqueles que conhecem bem Britney: quando ela está loira, ela está feliz. Quando está morena, está triste. Quando está de cabelo rosa, está louca. O cabelo dela recuperou o brilho e o dourado neste outono, quando ela ocupou seu tempo diligentemente saindo de sua mansão em Beverly Hills para ensaios de dança e gravação de clipes e para estúdios de gravação, em preparação para o seu novo álbum, Circus. Foi uma transformação completa, seguindo um ano em que ela ficou um mês numa clínica de reabilitação, enfrentou uma dura batalha pela custódia dos filhos com o ex-marido, Kevin Federline, e entrou em um massivo — e extremamente público — colapso mental que culminou em duas internações involuntárias em um hospital psiquiátrico em janeiro.

“Eu me sinto como uma idosa hoje em dia”, ela diz em uma tarde, enquanto uma manicure aplica cristais e brilho rosa em suas delicadas unhas. “É sério! Eu vou dormir, tipo, 9h30 toda noite, e eu não saio e nem faço nada, entende o que eu digo? Eu me sinto como uma velha.”

O restante da beleza fez bem a ela: em um estúdio de gravação em Hollywood em setembro, vestida com um jeans escuro, salto plataforma e um capuz, Spears se parece mais com quem era antes do que poderia parecer há anos. Ela usa maquiagem, mas está desbotada o suficiente para parecer que é de ontem. Ela diz que está pensando em tirar de vez os apliques que ela usa desde que raspou a cabeça em 2007, e quando ela conta as tatuagens — “Sete! Oh meu Deus, gente!” — ela cai no sofá dando risadas e balançando os pés no ar.

Spears sempre foi assim: boba, doce, humilde. Ela nunca foi muito articulada, mas ela sempre tenta ser prestativa. Na noite de hoje, ela está ouvindo algumas mixagens e finalizando o trabalho em uma faixa chamada Lace And Leather. Quando eu pergunto como ela sabe se uma música será um hit, ela diz, “Você simplesmente ouve, e fica tipo, meu Deus, se alguma outra pessoa ouvir essa música, você vai se matar, entende? Tipo essa que eu estou fazendo hoje, eu acho ela boa, e é, tipo… muito excêntrica e diferente e feminina.”

“Um pouco ousada”, diz o empresário dela, Larry Rudolph, 45, se sentando por perto vestido com uma camiseta e jeans.

“Um pouco ousada”, Spears concorda, parecendo um pouco constrangida.

Existem diferenças em Britney também da última vez que eu a vi, em 2006, quando nós nos encontramos no quarto de hotel dela em Nova Iorque assistindo o American Idol. Enquanto o filho dela, Sean Preston, engatinhava ao redor da cama. Ela está mais tímida, mais reservada, distante — como a velha Britney, mas com o volume bem mais baixo. O último single dela, Piece of Me, falava da imagem pública dela (Sou a Senhorira Mal-Carma da Mídia / Mais um dia, mais um drama), mas ela diz que não tem tanta certeza se quer incluir algo tão revelador no Circus. “É assustador se mostrar dessa maneira e ficar tipo: ‘Oh Deus, isso é legal?’ Se você não está disposto a enfrentar todas as conseqüências até o final, você não pode simplesmente parar no meio do caminho.” E aí, como se estivesse mudando sua linha de pensamento, ela completa: “Mas às vezes, quando você corre atrás, você não pode perder.”

De todas as coisas que Britney perdeu no último ano, foi a custódia dos filhos, Sean Preston, 3, e Jayden, 2, que mexeu mais com ela. “Toda vez que eles vêm me visitar, eu penso no quanto eles são pessoas especiais”, diz Spears, que atualmente vê os garotos três vezes por semana, com uma visita noturna. “Tipo, eles estão indo para a pré-escola agora! Eu fui lá buscá-los na sexta, e vendo eles na salinha e vendo o Jayden sendo mal ou desobedecendo? É tipo, aqueles são meus, e é tão louco, você entende? E as coisas que estão saindo da boca deles agora — eles estão aprendendo tanta coisa, e é tudo novidade, e você nunca sabe o que eles vão dizer, e eles são muito espertos, apesar de inocentes. Eles são obcecados por monstros, e toda noite nós olhamos para fora, e temos que mostrar a eles que não tem monstros lá. É escuro lá fora, mas não tem nada lá, sabe?”

Desde que ela era uma garotinha crescendo em Kentwood, Louisiana, Spears sonhava em ter seus próprios filhos. Ela considerava a experiência “a coisa mais próxima de Deus”, ela disse em 2004 em uma nota em seu site. “Para ser uma mãe realmente boa, eu acho que seu filho tem de ser o seu trabalho de tempo integral. Eu quero criar meus filhos e dividir todos os momentos preciosos com ele.”

Mas as coisas não eram como ela imaginava. “Eu não pensava que o meu marido iria me abandonar”, ela diz sem expressão. Ela ri para quebrar a tensão. “Se não fosse isso eu estaria com os meus filhos o tempo todo. Mas já que eles são quase como gêmeos, eles dois cuidam um do outro. Eu acho que eles se parecem comigo”, ela diz, indo da afeição à amargura enquanto ela se distrai com os pensamentos em Federline, que ela vê só quando um deles vai buscar os garotos. “Eles não se parecem em nada com o pai”, ela continua. “E é estranho porque eles estão começando a aprender palavras como ‘idiota’, e Preston diz aquela palavra com ‘F’ algumas vezes. Ele não aprendeu isso com a gente. Ele deve ter aprendido isso com o pai. Eu digo essas coisas, mas não perto dos meus filhos.”

Obviamente, Britney também não se tornou exatamente uma mãe modelo, e foi exatamente seu comportamento errático que a levou a perder a custódia. Durante a segunda viagem de Britney ao hospital psiquiátrico, quando o pai dela, Jamie, queria convencê-la a deixar que ele tomasse o controle de sua vida, ele disse que a ajudaria a ter os filhos de volta. Ele e o advogado Andrew Wallet entraram na justiça pedindo uma conservadoria legal que fizesse deles responsáveis pelo controle das finanças e da vida pessoal de Britney — hoje em dia ela tem tantos direitos legais quanto os que ela tinha na época do Clube do Mickey. Ela é vigiada durante o dia e durante a noite por seguranças contratados por Jamie (e dos quais ela mesma paga o salário); também existem rumores de que as ligações de Britney são monitoradas de perto e que ela não tem permissão de dirigir o próprio carro. Recentemente, diz uma fonte próxima a Britney, Jamie demitiu um segurança que a deixou usar o celular dele. (Os representantes dela negam essa informação).

“Não há nenhuma empolgação, não há nenhuma paixão”, a cantora diz em um raro desabafo em Britney: For The Record, um documentário produzido pela equipe de Spears e que estréia na MTV no dia 30 de novembro. “Mesmo quando você vai para a cadeia, você sabe que vai chegar o momento em que você vai sair. Mas essa situação é eterna. É como se todo dia fosse o Feitiço do Tempo.” Ela também diz: “Se eu não estivesse sob as restrições em que eu estou eu me sentiria mais livre”.

Britney bateu de frente com os pais durante anos. “Ela tinha medo de que eles viessem e tomassem tudo que ela havia conseguido com o próprio trabalho”Lynne, publica em suas memórias recentes no livro Through The Storm fatos como o alcoolismo de Jamie, que os levava a longas brigas durante a infância de Britney, e de que ele estava sempre ausente no lar, e, ao invés disso, bebendo. “Para ela era como se ele fosse um cara assustador que ela não conhecia, porque ele nunca estava por perto”, diz um amigo de Britney. Em 2000, Britney pagou os custos da construção de uma casa para Lynne em Kentwood. O casal se divorciou em 2002, mas nunca chegaram a dividir os bens, e fontes próximas a Britney dizem que ela se sentia traída pelas reconciliações deles. “Às vezes ela ligava para a casa de Lynne, e Jamie atendia o telefone”, diz uma fonte. “Isso a fazia sentir como se eles estivessem tirando vantagem dela.”

Sob o controle de Jamie, entretanto, a carreira de Britney ressurgiu das trevas. Em abril ele readmitiu o ex-empresário dela, Larry Rudolph, um típico nativo do Bronx que começou como advogado do entretenimento antes de descobrir Britney em 1995. A cantora se separou de Rudolph em abril de 2007, acusando-o de tramar um complô com os pais dela para forçá-la a ir para a reabilitação. Rudolph compara a própria relação com Britney à de Elvis Presley e Colonel Tom Parker, mas ele fica incomodado ao ser interrogado sobre como o pai dela a ajudou a melhorar. “Eu não posso falar sobre ele, porque eu não tenho permissão de falar sobre a conservadoria”, Rudolph diz. “A única coisa que eu posso dizer é que, de modo geral, existe uma estabilidade na vida dela agora que eu acho que é algo positivo para ela.”

Apenas algumas semanas depois de a conservadoria ser implementada, Britney começou a trabalhar novamente. Ela e o pai foram para a Costa Rica de férias com Mel Gibson, outro paciente recente da reabilitação, e a esposa dele, Robyn. Graças ao bom comportamento dela, ela conseguiu uma expansão nos direitos de visitação dos filhos em maio. E no final do verão, com cerca de 30 músicas gravadas para o Circus, Britney Spears estava oficialmente de volta à parada. “Algumas pessoas estão em dúvida a respeito do status de ícone dela atualmente”, Rudolph disse em setembro, algumas semanas depois de ela receber três prêmios no VMA. “Mas este álbum diz a todo mundo que ela veio para ficar. Este será o álbum que consolidará o status dela de lenda.”

No meio de setembro, Womanizer, primeiro single do Circus, estreou liderando o Billboard Hot 100, e em novembro, o clipe da música foi o vídeo mais assistido no YouTube, com mais de 16 milhões de visualizações. Com estréia programada para para o 27º aniversário de Britney, no dia 2 de dezembro, o Circus é um pop clássico de Britney, atualizado com um tipo de electro-para-pista-de-dança combinado em mal-gosto, o que diferencia dos dois últimos álbuns dela. Em adição à parceria com o produtor Dr. Luke, que escreveu hits pop-rock para Kelly Clarkson (Since U Been Gone) e Katy Perry (I Kissed A Girl), ela se reuniu com o produtor de …Baby One More Time, Max Martin, e com os especialistas em hits do Blackout do ano passado: Danja e a dupla de produtores Bloodshy & Avant. O álbum também conta com uma balada épica, enjoativa que combina com Everytime de 2003: Out From Under é um cover produzido por Guy Sigsworth de uma música que foi anteriormente gravada por outra cantora para a trilha sonora de Bratz, mas as emoções expressas em letras como “Eu não quero sentir a dor… Eu vou decifrar tudo isso quando eu sair dessa” ficam pesadas com a significância que Britney as canta. É, acima de tudo, um álbum muito bom de Britney Spears.

“Nós ouvimos tipo, nove milhões de faixas de pessoas desconhecidas”, diz Britney, descrevendo o processo de gravação. “Às vezes levava 10 minutos para escrever a música, como uma em ritmo espanhol chamada Mmm Papi. Então a gente só ensaiava um pouco nas primeiras duas ou três semanas. E depois você sente a vibração com alguém e como você lida com eles e como você trabalha em equipe, e aí você chega em outra pessoa, e você descobre como ela trabalha.”

“Ela sempre escolhe as faixas que não soam como o que todo mundo já fez”, diz a compositora de Los Angeles, Nicole Morier, que escreveu nove músicas com Spears nesse verão. “Ela vinha para o estúdio e do nada as idéias vinham. Ela não tem medo de falar ou experimentar. Ela é meio quieta e fofa, mas ela é muito disposta a trabalhar.” Embora as contribuições de Spears como compositora variem entre duas faixas, Morier diz que uma das coisas favoritas dela em Spears é que ela não se revela desesperada em provar que ela pode escrever várias músicas de um álbum sozinha. “Ela é uma profissional”, Morier continua, “e ela conhece as próprias limitações”.

“Nós tentamos manter o nível mais alto possível nessas músicas”, diz a responsável por Britney na gravadora, Teresa LaBarbera-Whites, que vasculhou centenas de demos em busca de faixas para o Circus. “As pessoas vão ouvir isso no rádio e dizer ‘É, isso é Britney Spears! Ela fez de novo!’ Queira você admitir ou não, você já dançou as músicas dela no seu quarto, de calcinha e sutiã ou já cantou as músicas no seu carro enquanto dirigia. Nós todos já fizemos isso. Então você quer algo que vá mexer com as pessoas.”

A capitalização nos estranhos suplícios pessoais de Britney pode ser uma estratégia lucrativa para as revistas de celebridades, mas a marca Britney Spears sempre se sai melhor quando ela está… bem… loira. A vasta maioria dos milhões de jovens fãs dela ao redor do mundo só quer que Brit seja feliz — um sentimento que eles expressam em letras maiúsculas e muitos pontos de exclamação em fóruns e fã-sites. As pessoas que tendem a prosperar se Circus for um sucesso — incluindo a própria cantora — têm muito a ganhar com a apresentação da imagem da Britney que nós um dia já amamos. Enquanto os advogados da conservadoria argumentavam na corte que a cantora se encontra gravemente incapaz, ela mostrava sinais de que está altamente funcional: gravou dois clipes, filmou o documentário para a MTV e se juntou a Madonna para se apresentar para uma platéia de 50 mil pessoas no Estádio Dodger. Na primavera ela deve embarcar em uma turnê de arena planejada para ser como um circo real de três picadeiros, com contorcionistas e animais vivos.

Quando eu me encontro com Jamie Spears nos bastidores do VMA, ele aperta minha mão e diz: “Tome conta do meu bebê”. O “se não” fica subentendido. Grande como um urso, com penetrantes olhos azuis, Jamie — e os advogados da conservadoria — fazem com que falar de um modo espontâneo com o bebê deles seja algo difícil, e entrevistar Britney foi um processo rigorosamente bem-planejado. Nós nunca éramos deixadas sozinhas juntas, e minhas perguntas tinham de ser enviadas com antecedência para aprovação. Assuntos aceitáveis incluíam o novo álbum dela, os filhos e coisas do gênero. A equipe dela disse que ela não responderia nada sobre o último ano dela e vetou uma pergunta direta como: “Você tem uma opinião sobre a eleição presidencial?”

Jamie recusou ser entrevistado, e quando eu me sentei brevemente com Lynne em outubro, ela ficou restrita a banalidades. Perguntada sobre como ela se sentia vendo o declínio da filha à distância, quando as duas mal se falavam, ela disse: “Nem é preciso dizer que eu fiquei com o coração partido pela minha filha. Mas essa é uma história que já acabou. Persistir e pensar nesse tipo de coisa não é muito saudável”. Com seu jeans True Religion e o cabelo curto e com mechas em camadas, ela poderia ser uma Sarah Palin em uma sexta-feira casual, enquanto falava no tom vagaroso e padronizado de uma professora de primário: “Nós estamos ansiosos, e nós não temos nada além de coisas maravilhosas por vir”.

“Eu fiquei preocupado quando vi várias das coisas pelas quais ela estava passando”, diz ainda Rudolph, que também estava ausente durante a ruína de Britney. “Mas eu acho que é uma estrada para Britney, e a estrada a trouxe para este lugar agora, que é um lugar muito, muito melhor. Quer dizer, ela não está lá ainda, mas ela está em um lugar infinitamente melhor, como você pode ver claramente. Ela realmente está dando um jeito nas coisas. Ela está sendo produtiva, e tem um relacionamento incrível com os filhos. Ela está muito feliz agora.”

Quando a conservadoria foi definida pela primeira vez, em fevereiro, Jamie e Lynne publicaram uma nota descrevendo Britney como “uma criança adulta passando por uma terrível crise de saúde mental”. O plano original era que essa fosse uma medida temporária até que a cantora pudesse voltar a tomar conta de si mesma. Mas os advogados de Jamie repetidamente voltaram à corte para ter o controle e a duração do acordo estendidos e, assim, garantir a ele maior autoridade sob suas decisões legais e pessoais. (É muito raro para uma jovem adulta que não está extremamente doente ter seus direitos designados a um conservador. Mas o sistema da conservadoria não se adéqua às mesmas evidências de praxe que julgamentos criminais requerem, e muitos conservados na California e em outros lugares reclamam que a lei injustamente os priva de suas liberdades civis). No dia 28 de outubro, os advogados conseguiram fazer com que a conservadoria se tornasse permanente — o que significa que, incontestavelmente, ela pode ter efeito até o fim da vida de Jamie.

Sob a conservadoria, Britney perdeu o direito de contratar o próprio advogado. Ao invés disso, ela é representada pelo advogado que foi escolhido pela corte, Samuel Ingham III, que recebe mais de 10 mil dólares semanalmente vindos do bolso de Britney. Entretanto, ela não apareceu na corte para levantar objeções, embora tenha recusado o acordo inicialmente. No dia 6 de fevereiro — mesmo dia em que ela recebeu alta mais cedo do UCLA porque ela estava estabilizada o suficiente para que os médicos não pudessem mantê-la internada contra a própria vontade — ela entrou no carro de um paparazzo e foi até o Hotel Beverly Hills para uma reunião com o seu empresário na época, Howard Grossman, e logo depois para o escritório de seu advogado, Adam Streisand, a quem ela pediu que impedisse o processo da conservadoria. Em um e-mail fortemente expresso datado com o dia 2 de fevereiro, Streisand havia escrito para os advogados da conservadoria de Jamie, dizendo: “Fui informado de que vocês ligaram para (o ex-advogado de Spears) Ron Rale e disseram a ele que Britney foi declarada incapaz. Isso não é verdade, e vocês sabem disso. Vocês ainda declararam que o Sr. Rale não tem o direito de ver sua cliente sem aprovação dos conservadores temporários. Isso também não é verdade.” Depois ele acusou a conservadoria de organizar “nada mais que uma hostil tomada de nossa cliente para interesses impróprios”. Alguns dias depois, na corte, Streisand disse que Britney “expressou um desejo muito forte de que seu pai não fosse aprovado como conservador. Ele esteve afastado dela, e isso está causando ainda mais estresse a ela”. A corte, entretanto, concordou com os advogados de Jamie, que argumentaram que Britney não estava em condições de ter uma opinião formada; eles venceram a petição de Streisand de ter a conservadoria transferida para Grossman, e depois disso Streisand saiu do caso.

No dia 14 de fevereiro, o irmão de Britney, Bryan, 31, ganhou sua chance pedindo que fosse colocado entre as pessoas de confiança que Britney havia definido em 2004 como herdeiros primários. Britney e Bryan eram muito próximos naquele tempo, e ela havia o nomeado seu sucessor como um dos provedores. Bryan argumentou que as regras que os conservadores estabeleciam sob sua irmã provavam que ela não podia administrar seus bens. Nessa mesma época, a cantora tinha um amigo-advogado, Jon Eardley, com quem ela discutia a possibilidade de ir novamente contra a conservadoria.

“Eu basicamente quero a minha vida de volta”, Britney pode ser ouvida dizendo numa gravação de uma chamada telefônica. (No seu próprio mundo, às vezes as pessoas gravam as chamadas telefônicas uns dos outros.) “Eu quero poder dirigir meu carro. Eu quero poder morar sozinha na minha casa. Eu quero poder dizer quem fará parte da minha equipe de segurança.”

A conservadoria tem claramente ajudado a restaurar a vida de Britney à normalidade: ela agora tem acesso aos filhos, está trabalhando novamente, e não passa mais as noites correndo por Los Angeles sendo seguida por uma centena de paparazzi. Mas Britney está feliz ou simplesmente bem-comportada? Isso é difícil de dizer. “Britney vive num mundo que poucas pessoas podem imaginar”, Rudolph diz. “Todo mundo pensa: ‘Ela é rica, ela é famosa. Ela deveria ser feliz. Ela não deveria se queixar.’ Ela não é de se queixar, mas as pressões a que alguém como ela é submetida são inimagináveis para a maioria das pessoas. E elas são verdadeiras, elas podem ser tiradas de você de um jeito que as pessoas não conseguem imaginar. O trabalho dela é ser Britney Spears, e infelizmente, esse trabalho também entra na vida pessoal dela e cria essa situação estranha na qual ela precisa ter seguranças ao redor dela o tempo todo. Não é algo que vem naturalmente dela, e eu acho que ela se ajusta a isso diariamente.”

Rudolph disse que o próximo passo na recuperação de Britney é um novo namorado — “Ela é uma namoradeira”, ele disse — e ela já está tendo encontros. Até agora, não há nenhum vencedor na corrida para ser o próximo Sr. Britney Spears. Num recente encontro — com sua assistente, Brett, e um colega de Rudolph, Adam Lever, na cidade — ela disse que pediu a sobremesa antes somente para acabar com o encontro mais cedo. “Logo que chegamos lá, nós sabíamos que estava ruim”, ela diz, rindo. Garotos sempre tem sido seu assunto preferido nas conversas, e ela imediatamente relaxa quando consegue uma chance de falar mal deles. “Ele parecia uma versão velha do Harry Potter, mas mais magro”, ela diz. “E nós começamos a rir muito, tipo, ai meu Deus. Então eu tive de pedir a sobremesa primeiro. E no outro encontro que eu tive, o cara era muito, muito alto e bem mais velho. Logo que chegamos lá, Brett me perguntou: ‘Como você acha que ele será?’ E eu disse ‘Aposto como ele deve ser daquele estilo suave de Los Angeles.’ E ele era. Nós tentamos perguntar algumas coisas a ele, tipo, ‘Tá, você gosta de artes marciais, então por qual tipo de arte marcial você se interessa?’ E ele dizia: ‘Ah, todos os tipos’. Aí ele começou a dizer que em 10 dias ele iria para Bagdá para dar aulas as pessoas, e eu comecei a pensar: ‘Será que esse cara só sabe falar merda?’ Tipo, o que ele faz? Mas você sabe como somos bobas, então nós só estávamos rindo muito.”

Às vezes, o disfarce de Britney é o suficiente para conseguir dar seu antigo brilho. Da última vez que a vi, ela estava suada, com um top cheio de pedrinhas brilhantes e com uma calça de moletom azul, enquanto praticava alguns passos de dança para o seu videoclipe Circus na Academia de Dança Internacional de Hollywood. Ela estava à vontade, em volta de sete dançarinos de sua idade, todos suando muito aprendendo os mesmos passos. Ela pega emprestado um boné de baseball vermelho de um dançarino com cara de bebê chamado Tucker: Usando isso no lugar da cartola que irá usar no videoclipe, e depois joga o boné de lado. Mais tarde, ela se esforça para entender como domesticar o seu leão com um chicote. “Eu não quero fazer isso tão dura assim”, ela fala recatada, envergonha, depois de algumas tentativas falhas, e aí levanta o braço confiante e — thwack! — ela começa a rir de si mesma.

Naquele momento de tentar acreditar, a cantora parecia finalmente feliz, livre pela sua habilidade de se tornar outra pessoa. Até a própria Britney reconhece isso sobre si mesma. Ela descreveu para mim uma música que ela escreveu no verão passado, “sobre a expressão artística e a falsidade das pessoas fingindo e fazendo dramas”, ela disse. “Com isso, você cria seu próprio mundo. A música fala sobre como as outras pessoas entram no mundo de uma garota, sendo que ela não os convidou. Aí ela diz: ‘Porque vocês estão aqui, se nem os convidei?’ É complicado, mas você pode dizer que fui eu quem escreveu isso, porque está na minha voz, e existe uma diferença.”

9 Comentários
  1. arthurtsu disse:

    Aí que esntrevista em 8)

  2. rafael disse:

    Essa mulher é d+

  3. EduFedeszen disse:

    Uau, Top Essa entrevista !

  4. Thaynnan disse:

    Britney e britney de mais mesmo

  5. MARCELLA disse:

    A BRITNEY NAO DANÇA COMO ANTES NAO CANTA SO FAZ PLAYBACK QUE ARTISTA É ESSA?FORA Q NOS SEUS SHOWS EU NUNCA VI ELA SE´´IMPORTANDO COM SEUS FÃS´´ SINCERAMENTE NUNCA VI ELA CONVERÇANDO OU MANDANDO BEIJO OU DANDO TCHAU NAAADA.ELA SIMPLISMENTE ENTRA FAZ UMA DANCINHA MIXARIA DUBLA E VAI EMBORA.FALA SERIO!

  6. Fernanda disse:

    Oi, Marcella… Ta no lugar certo mesmo, tem certeza?

    BRITNEY, cada dia mais incrivel.

  7. Felipeh disse:

    Ain muito bom ver a recuperação da brit, a forma
    q ela deu a volta por cima!!! por isso que eu amo ela!!! <3

  8. Thiago disse:

    o pai da Brit é um interesseiro mesmo! odeio ele!

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