O caminho para a ruína



Luzes de Natal se dependuram de três galhos em frente ao Raffles D'Ermitage, o hotel de Beverly Hills onde Britney Spears dormiu ontem – e onde os paparazzi que vivem de olho nela agora esperam. Apesar de ela ter uma mansão em LA, ela às vezes dorme em hotéis porque, especula-se, suas despensas em casa são vazias: ela gosta de pedir serviço de quarto. Spears é a única celebridade no mundo a ser vigiada por fotógrafos 24 horas por dia, um tipo de vigilância geralmente reservada a prisioneiros e suicidas. Alguns no grupo principal de 15 ou mais fotógrafos que se auto-intitulam “paps dela” passam essas horas on-line, conversando com mulheres por conexões wireless de laptops. Alguns fumam maconha. Felix, o líder de equipe da X17, a agência de paparazzi mais próxima a Britney, de vez em quando olha em seu telefone para procurar mensagens de Sam Lufti, confidente e empresário de Spears desde o verão passado. Felix lê em voz alta: “ela está lá dentro”.

 
“Britney é dinheiro”, diz outro fotógrafo da X17, ao lado de sua BMW comprada com fotos da Britney. Alguém conta a história do dia em que eles a seguiram metade do caminho até Lãs Vegas. Ela pegou comida pra viagem no Taco Bell numa parada no meio deserto. Em seguida ela deu meia-volta com o carro e voltou pra casa. “Britney é louca”, diverte-se outro.

Estamos esperando desde as 10h da manhã, e a emoção às 20h39, quando dois seguranças do hotel aparecem na entrada da garagem, é libidinosa: quando a Mercedes SL65 AMG 612-cavalos de Britney dispara para a rua, vira a oeste na Burton Way e sobe a Foothill Road, é a doce perseguição.

Britney dirige como um coelho sendo perseguido no campo. Seguida por 15 carros, ela faz sinal para a direita e vira à esquerda. Pula para uma faixa de virada à esquerda e vira à direita. Na Wilshire Boulevard, reduz de 50 milhas por hora para 15, em seguida faz um “U” ilegal no meio do tráfego. O motorista da frente murmura, “Vadia”. Em seguida ele é cortado por uma Mercedes SL500 dirigida por Adnan Ghalib, um paparazzo destemido que geralmente dirige na frente do grupo.

Se a Britney se escondeu o dia todo e seus “paps” não tiraram fotos, eles torcem por um farol vermelho no topo da Coldwater Canyon, o último cruzamento antes da casa dela. Hoje eles têm sorte. Britney pára; Ghalib entra com sua Benz na faixa, estaciona com tudo e a turma se amontoa em volta do carro dela por menos de um minuto.

Assim cercada, Britney, na mesma roupa que usou ontem, não olha para os fotógrafos e se foca num ponto no ar em frente ao seu nariz, mexendo devagar a cabeça em volta do pescoço, enquanto cliques e flashes iluminam seus movimentos como um estroboscópio. Ela parece estar gostando, e está encurralada. Até seu carro parece rendido: um farol está quebrado há semanas, e ela ainda está dirigindo no estepe usado para trocar o pneu que ela furou em outubro (os paps trocaram para ela).

Quando o farol muda pra verde, os paparazzi correm de volta para seus carros, Britney vira à direita, acelera e eles a deixam ir. O carro branco some na escuridão, adentrando a Mulholland em direção ao condomínio fechado onde ela mora.

A caça a Britney parece um videogame onde, a todo o momento, você jura que vai morrer; e ainda assim, apesar de todo o perigo, nada o mata. Mesmo os fotógrafos que fazem isso todos os dias admitem que sentem medo. Um cinegrafista da X17 avisa, “Alguém vai se machucar, cara”. Sem avisar, ele finge segurar em uma mão a câmera e com a outra discar num celular – explicando que o vídeo de uma morte acidental não pode ser vendido legalmente, a não ser que quem a filmou possa provar que estava ligando para o serviço de emergência ao mesmo tempo. Obviamente ele já pensou em tudo. Não há como não perguntar: o vídeo da morte de Britney seria o prêmio máximo? “Isso seria horrível”, diz ele. “Não, não. Ninguém quer isso”.

A POPSTAR

Além dos Frappuccinos da Starbucks, o passatempo principal da Britney hoje é a atenção dos paparazzi, que alimentam a insaciável sede do público por detalhes de suas peripécias. Britney tem sido um símbolo de fascinação desde sua estréia em 1999, quando ela era tudo que uma garota devia, e não devia, ser. A Mouseketeer virgem, cristã e sulista vinda de uma cidade pequena, de 17 anos, virou uma superstar – Lolita, Cinderela e Elvis Presley em uma só – ao usar um uniforme escolar e dançar nos corredores de um colégio no clipe de “...Baby One More Time”, seu primeiro single. A imagem de Britney foi uma obra-prima do pop, construída nas músicas e clipes através da união provocativa de inocência e experiência. Ela se transformou numa vencedora do Grammy quando, como nenhuma outra cantora, emplacou quatro álbuns consecutivos (que, juntos, venderem 75 milhões de cópias) em primeiro lugar. Hoje, porém, ela se transformou na essência primordial da celebridade, e quase ninguém – nem mesmo Britney – parece interessado em sua música. Para promover seu álbum Blackout, de 2007, Britney fez exatamente uma entrevista por telefone, que durou sete minutos.

Desastres, não música, se transformaram em seu produto. Steve Lunt, o executivo da A&R que a guiou na maior parte de sua carreira, está pasmo com a implosão. “É muito triste ver o que acontece na vida dela”, diz ele. “Ela sempre foi responsável e focada. A pessoa mais silenciosamente ambiciosa que você poderia conhecer. Mas quando você perde seu foco, é muito difícil reencontrá-lo”. De repente, Lunt acrescenta, “Não se sabe onde isso vai parar”.

Por ora, está fora dos trilhos. Nos últimos 18 meses, suas transgressões, provadas e alegadas, passaram de quase todas da história do pop. Comparada a Britney Spears, Courtney Love é a Miss Boas Maneiras. Depois que deixou seu marido Kevin Federline no final de 2006, ela mostrou sua vagina, raspou a cabeça, atacou um paparazzo fisicamente e foi para a reabilitação (duas vezes). Ela foi acusada de bater o carro e fugir, efetivamente declarada uma mãe ruim pelo Estado da Califórnia e abandonada pelos seus advogados (de novo, duas vezes). Ela fez a mais desastrosa performance de sua carreira no Video Music Awards da MTV, foi mandada embora por sua firma de empresários e se livrou de quase todos que fizeram papéis importantes nos seus primeiros 25 anos de vida. Ela passa muitos dias no que Ben Evansted, o paparazzo que tirou as mais famosas fotos de seus genitais, chama de “longas corridas a lugar nenhum”, pontuadas por paradas em postos de gasolina, salões de bronzeamento, farmácias, lojas de bichos de estimação e restaurantes de fast-food. Em dezembro, a revista OK! alegadamente pagou US$ 1 milhão por uma entrevista com a mãe de Britney, Lynne, e sua irmã, Jamie Lynn, que aos 16 anos anunciou que estava grávida. Quando os “paps” perguntaram a Britney o que ela achava da notícia, ela inadvertidamente revelou seu grau de alienação em relação à sua família: com um muxoxo e uma risadinha, ela disse, “minha irmã não está grávida!”.

Se ainda restava algum limite entre sua vida pública e a privada, sumiu logo antes do Natal, quando ela passou a noite num hotel com Adnan Ghalib, o paparazzo que trabalha para uma pequena agência chamada Finalpixx. A Síndrome de Estocolmo auto-criada por Britney pareceu estar consumada. E então, quando as coisas pareciam não poder ficar piores, a polícia foi chamada para a casa de Britney quando ela se recusou a entregar seus dois filhos depois de sua visita, em 3 de janeiro. Depois de uma negociação de três horas, ela foi amarrada a uma maca e levada de ambulância ao Cedars-Sinai Medical Centre. No dia seguinte, ela perdeu todos os direitos de visitação e custódia de seus filhos.

Lindsay é uma peso-pena, Paris é um membro da Liga Júnior, comparadas a Britney. Sua bagunça virou tragédia. Onde as coisas saíram errado? Muitos desinformados culpam o abuso de drogas pelos problemas dela, uma teoria que ganhou força quando o juiz de sua batalha de custódia escreveu “uso contínuo, freqüente e habitual de substâncias controladas e álcool”.

Mas em séries de entrevistas com seus antigos amigos e sócios, uma visão mais completa de suas agonias toma forma. Um colaborador que a ajudou a se preparar para a performance de setembro no VMA diz, “Existe obviamente um problema de abuso de substâncias... mas mesmo se, hipoteticamente, ela saiu na noite anterior ao VMA, cheirou cocaína e em seguida tomou um Xanax para se acalmar e depois ficou bêbada antes do show – mesmo se ela tivesse feito isso – nem isso explicaria a performance. Ela não teria feito aquilo mesmo com auto-sabotagem” (Spears não respondeu aos pedidos de entrevista da Blender).

Britney já teve uma equipe de alta qualidade de relações-públicas, empresários, advogados e gerenciadores que rivalizava com o de qualquer outra estrela. Agora, ela basicamente reduziu esse quadro de funcionários a uma pessoa: Sam Lufti, um espertalhão de 33 anos de Hollywood com um passado duvidoso, alguns créditos como produtor de filmes de baixa verba e aparentemente nenhuma qualificação para seu posto atual. Um prominente antigo conselheiro de Britney acredita que Lufti “tem o potencial de causar enormes problemas, de afundá-la mais ainda e a explorar de forma duradoura”.

Como todas as estrelas mirins, Britney Spears foi explorada, em graus variados, desde que sua carreira começou – tanto que esse parece ser o tipo de relacionamento com que ela se sente mais à vontade. “Ela foi mastigada por essa nova cultura de celebridades e depois cuspida, então é difícil não sentir empatia por ela”, diz Michael Hirschorn, Vice-Presidente Executivo da VH1. “Ela realmente se transformou num rato de laboratório”. Enquanto seus problemas incluem abuso de substâncias, a pressão do escrutínio público e uma dificuldade para entender que ações têm conseqüências, muitos dos que estiveram próximos a ela através dos anos concordam que seu problema mais básico é algo diferente. “O buraco é mais embaixo”, diz Melinda Bell, que fazia parte do seu grupo de empresários. “É algo que tem a ver com amor”.

A NOIVA

“Tão engraçada quanto merda”, diz um antigo executivo da Jive, quando perguntado o que ele achou da decisão de Britney, numa noite em Las Vegas em 2004, quando decidiu casar com um amigo de infância de Kentwood, Jason Alexander. “Ela não liga os pontos às vezes”, ele explica. “Todo mundo pensa que você só pode fazer essas coisas quando está bêbado ou em outro nível. Britney pode fazer essas coisas estando muito sóbria”. O casamento foi anulado 55 horas depois, e Alexander vendeu para um tablóide a descrição de uma suposta picante noite de núpcias.

Mais tarde naquele ano, quando Spears teve uma ficada de uma noite com o dançarino de reserva chamado Kevin Federline (apelidado de Vara de Carne devido a sua virilidade), “entrou numa pausa de três dias em um Hotel de Beverly Hills”, de acordo com um amigo da família de Federline. “Tudo que eles fizeram foi sexo e pedir serviço de quarto.” Posteriormente, “ele chamou seu irmão Chris, tipo, ‘Você não vai acreditar na bunda que eu tracei’”, e, o amigo disse, se barganhou do fato de não terem usado camisinha
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Britney convidou Kevin para acompanhá-la em sua turnê promocional na Inglaterra, e apesar de ele não ter passaporte, um foi rapidamente providenciado. No vôo pra casa, eles ficaram noivos, e ela comprou pra si mesma um anel de noivado no valor de $50,000.
O romance de Britney com Kevin também intensificou o affair dela com os paparazzis. Duas fantasias de amor - com um homem, e com o público - se juntaram quando ela levou Kevin para a praia durante uma tarde para mostrar ao mundo seu novo namorado. O número de fotógrafos seguindo Britney dobrou depois de Kevin entrou em cena, e o preço de uma foto ‘premiada’ com ela subiu em mais de 500%.

Ela era rica e famosa. Ele era, como ela mesma disse, “normal”. Ela disse amar isso nele, mas a disparidade causou problemas desde o começo. A solução de Britney? Equalizar seus status estrelando juntos um reality show. Contra todos os conselhos, Britney insistiu, e o resultado, Britney & Kevin: Chaotic da UPN, rendeu cinco episódios.

“Eu sabia que isso seria ruim para ela”, disse uma fonte que estava envolvida no contrato. “Mas eu pensei, Foda-se! Vai fazer muito dinheiro.”

“Chaotic destruiu a imagem que nós trabalhamos cuidadosamente para criar”, disse um dos conselheiros dela na época, que se opôs ao projeto. “Ela pensava que se mostrasse tudo ao mundo, todos a amariam por causa disso. O que isso fez, instantaneamente, foi transformá-la em um lixo branco - e isso não é o que ela é. Ela é melhor que isso. Foi criado um apetite por essa garota selvagem e louca e também foi criado um espiral onde nada pode satisfazer esse apetite.”
Chaotic, uma mistura desmoralizadora de piadas podres, sessões de conversas tolas, e noites de sexo compulsivo, foram em sua maior parte filmadas por Britney e Kevin com câmeras de mão. É pornográfico sem mostrar a pele, cheirando a um não reconhecível desespero de pessoas que se tornaram coisas, até mesmo para si mesmas.

Em um quarto de hotel, Kevin pergunta, “Como você se sente?”
Britney: “Ótima.”
Kevin: “Porque você se sente ótima?”
Britney: “O sexo é ótimo.”
Kevin: “O que mais é ótimo? É só o sexo?”
E então corta para uma entrevista onde Britney explica como ela superou obstáculos de intimidade com Kevin: “Eu não sou muito boa com somente sendo íntima com o outro, e eu acho que ter uma câmera lá me ajudou, ao invés de ser somente eu e ele.”

A MAMÃE

O casal teve dois filhos (Sean Preston, agora com 2, e Jayden James,1; Federline tem duas outras crianças, com a atriz Shar Jackson). “Ela tinha essa fantasia de ser uma esposa e mãe, então tudo aconteceu rápido”, diz um ex empresário, que não ficou espantado com o fato de a relação entre Britney e Kevin rapidamente desceu pelo ralo. Kevin descrevia das mudanças selvagens de humor de Britney e das brigas, chamando-a de “bipolar” - explosões às vezes provocada pelas horas que ela passava vendo a lista de ‘mulheres’ amigas na página do marido no MySpace. Apesar de as fontes próximas ao casal dizerem que Kevin pulando a cerca e entrando em festas de penetra, sua experiência com a paternidade fez dele um esposo mais doméstico. “Ele era o Senhor Mãe”, trocando fraldas, e acordando cedo para fazer o café da manhã, diz um amigo.

O serviço de bem-estar das crianças da Califórnia visitou a casa do casal cerca de duas vezes devido a relatos de negligência, apoiados por fotos e vídeos de paparazzi. Para colocar tudo a limpo, Britney se sentou para uma chorosa entrevista para o Dateline NBC com Matt Lauer. Ela fez seu próprio cabelo e maquiagem, vestiu uma roupa barata, mastigou chiclete aborrecida durante toda a entrevista e falou o quanto ela adorava cuidar da casa. Ela estava tentando mostrar ao mundo que ela era uma garota normal e que seus recentes erros maternais - quase derrubou Sean fora de um hotel, dirigir com ele no colo ao invés de no assento apropriado no carro - foram um azar aumentados pelos implacáveis olhos do público. Mas a entrevista, um desastre em relações públicas, só a fez parecer mais distante da realidade.

Naquele outono, Britney chamou seu antigo empresário Larry Rudolph para Nova Iorque para um encontro. (Os dois cortaram laços por volta do Chaotic). Quando ele apareceu, ela anunciou que estava se separando de Kevin e queria recontratar Rudolph e voltar ao trabalho. Apesar de suas melhores intenções, no entanto, sua disciplina decaiu, e com a aproximação do dia de Ação de Graças, ela entrou uma hedonista, flamejante lágrima pelos clubs de Hollywood com sua nova amigona Paris Hilton.

No último Valentine Day, ciclo íntimo da família e amigos se juntaram para persuadir Britney para procurar ajudar por abuso de substância, e ela voou com Rudolph para uma clínica de reabilitação em Antigua. No dia seguinte ela saiu, retornou para Los Angeles, raspou sua cabeça, atacou o carro de um paparazzo com um guarda-chuva e passou cinco dias selvagem antes de entrar voluntariamente para a reabilitação na clínica Promises, em Malibu. Ela ficou por somente 30 dias no programa do centro, que programava 45, e retornou para casa em março.

Britney encerrou seu tratamento na reabilitação cedo “porque isso seria admitir, frente ao mundo inteiro, que ela tinha problemas. Essa seria a única coisa que ela não faria”, diz uma das companhias mais próximas a Britney nesse tempo, deixando-se levar um pouco pela frustração. “Tem alguém no planeta, exceto Britney Spears, que não consegue ver que Britney tem um problema? Depois disso, ela colocou sua família, literalmente todos, para longe (dela).”
Então, Britney estava disposta a relevar toda e qualquer relação íntima que ela teve ao invés de admitir para uma abstrata massa do “público” de que sua vida era uma porcaria - mesmo que todo mundo soubesse que sua vida era uma porcaria?

“Essa não seria uma interpretação irracional da situação.”

Com o processo do divórcio rolando durante junho de acordo com acordo pré-nupcial de Britney e Kevin, os dois concordavam por uma custódia compartilhada das crianças. O advogado de Kevin, Mark Vincent Kaplan, mudou a determinação financeira, que estava de acordo com o pré-nupcial: uma bolada que diziam ser no valor de $1 milhão. Em setembro, Britney concordou em dar a Kevin $20,000 dólares por mês pelo resto de sua vida.
No mesmo dia em que Britney fez essa concessão, Kaplan entrou com o pedido de mudança na custódia. O tribunal rapidamente colheu testemunhos do errático comportamento de Britney, indo para o histórico de Merdas de Celebridades Estúpidas (dirigindo sem uma licença válida), com histórias Freudianas descabeladas de um ex-segurança sobre “a nudez da Sra. Spears, uso de drogas e problemas envolvendo a segurança das crianças, após a reabilitação”. Em semanas, o Comissionário do Tribunal Superior de Los Angeles, Scott Gordon, temporariamente suspendeu a custódia física de Britney com as crianças. Ele ordenou que ela entrasse em uma avaliação sobre drogas, comparecer a aulas para pais, proibiu-a de consumir álcool 12 horas antes de assumir a custódia física das crianças, e deu uma pateticamente rudimentar lista de cuidados que se deve ter quando está com as crianças: “Cada parte está restrita de fazer considerações que atinjam a outra parte e sua família ou conhecidos, direta ou indiretamente, para as crianças, e de deixar qualquer outra pessoa fazer o mesmo”.

Aqui, a relação entre o tribunal da Califórnia e o tribunal canguru da fofoca da internet se tornou um redemoinho bizarro. Uma semana antes de o Comissionário Gordon suspender os direitos de custódia de Britney, ele havia declarado que a criança “só pode ser transferida em um veículo apropriado e registrado, que deve ser dirigido somente por um proprietário assegurado que tenha uma licença válida”. Dois dias depois, o TMZ.com postou uma foto de Britney, que ainda não tinha licença válida, dirigindo com a criança em Malibu. No dia seguinte, o advogado de Federline convenceu o juiz a suspender os direitos de custódia.

Essa não foi, de jeito nenhum, a única violação de ordens do tribunal de Britney. Ela não compareceu a testes de drogas e a aulas de pais e foi vista bebendo álcool faltando menos de 12 horas para ver os filhos. (TMZ deu a prova disso postando um vídeo dela em uma boate.) Mas a partir desse ponto, o infinito circuito de regeneração entre seu mau comportamento e a cobertura on-line desses fatos foi selada. TMZ e X17OnLine publicaram vídeos de Britney, gravados nos meses correntes a suspensão da custódia, mostrando-a atravessando sinais vermelhos e passando por cima de pés de paparazzis. Ela bateu em outro paparazzo com seu carro, lamentando, “desculpe, desculpe, desculpe”, em uma voz de bebê; então, quando ela não viu como sair de uma garagem, olhou com olhar de súplica para os paparazzi, e eles vieram em seu socorro. Eles abasteciam seu carro, guiavam ela todos os dias diante da confusão nas janelas dos drive-throught dos fast-foods e até pagavam a sua conta. Não sem razão, ela parecia não ver razões para pagar suas próprias contas. Ela jogava o jogo que eles esperavam que ela jogasse. Em um posto de gasolina em Van Nuys, ela roubou um isqueiro de $1,39 e saiu andando normalmente, olhando para as câmeras e dizendo: “Eu roubei algo! Oh, eu sou mau. Ohhh!”

De todas as agências de paparazzis, a X17cresceu durante o último ano como uma das que tem a mais próxima relação com Britney. Brandy Navarre, que é dona da X17 junto com seu marido, François, conta a história do dia em que Britney foi a um salão de bronzeamento e disse ao seu segurança, “Chame a X17 para mim.” Ela entrou em uma sala privada e começou a dar pra gente uma mensagem que ela queria que fosse mostrada a seus fãs. Ela modificou sua voz com sotaque sulista, e basicamente disse que foi sua mãe e Larry Rudolph que a forçaram a entrar na reabilitação, mas que ela nunca foi viciada em drogas ou álcool. Ela sabia que colocaríamos no Web Site sem edição nenhuma.”

Navarre também se barganhou do fato de terem a primeira entrevista com Sam Lufti: “Nós fomos os primeiros a dizer seu nome e a dizer quem ele era.” Navarre inicialmente recebeu mensagens como “pseudônimo engraçado”, e então, “fora do céu”, ela diz, “Sam começou a dizer coisas que os TMZ e as Us Weekly do mundo matariam para saber”. Lufti se tornou a garganta profunda da X17.

O HOMEM ALADO

Quando Sam Lufti conheceu Britney ano passado, os dois tinham transições determinadas. Ela começou a se distanciar de pessoas com quem tinha relacionamento há algum tempo; ele vinha de uma ordem de restrição de contato com Danny Haines, um homem de 29 anos de Orange Country que foi seu amigo muito próximo.

Havia pelo menos outras duas ordens de restrição contra Lufti. Documentos dos casos mostravam seu temperamento agressivo. Este último caso, entretanto, faz termos perguntas mais profundas e inquietantes sobre o caráter de Lufti, e sobre seu relacionamento com Britney.

Danny Haines, que falou exclusivamente com a Blender, conheceu Sam Lufti através do MySpace no outono de 2005. Haines estava passando por um momento difícil quando eles se conheceram, ele diz. O resumo da situação lembra um pouco a de Britney: Sua vida profissional estava sem rumo, a relação com sua família e outros amigos estava um fracasso e ele tinha alguns segredos que ele não queria que ninguém soubesse.

Lufti se divertiu com isso. Ele disse ser amigo de celebridades como Kate Beckinsale e Roseanne Barr, e ele parecia conhecer todos os seguranças das boates de Los Angeles. Com Lufti, Haines diz, “parecia que você poderia descumprir as leis.”

A diversão deles foi abastecida por um tempo, com conversas confessionais onde Haines descrevia sua insatisfatória e distante relação com a família. Lufti acumulava com seus próprios fundos - ele cresceu em uma firme e unida família em Woodland Hills, Califórnia, onde sua mãe é dona de vários postos de gasolina - parecendo ideal em comparação com a de Haines.

Haines disse que Lufti queria saber de tudo sobre ele - todo segredo, todo problema, - e Haines concordou. Parecia que nada chocava Lufti, até mesmo quando Haines, que é hétero, contou a ele sobre algumas fotos pornôs no estilo gay que tinha feito para um fotógrafo que conheceu na internet. Haines se lembra da noite em que Lufti se ofereceu para ajeitar sua vida: “Ele disse, ‘Eu posso te ajudar. Eu posso ajudar seus pais. Mas você precisa ser honesto comigo. Se você estiver mentindo para mim sobre qualquer coisa, eu vou saber.’”

Para o ego fraturado de Haines, os conhecimentos sociais de Lufti e sua inteligência emocional eram magnéticas. Ele encorajou Haines a “enfrentar a si mesmo” e ao mesmo tempo trabalhou para se tornar indispensável para ele. Lufti se fez de agradável para a família de Haines por conta própria, agindo meio que como um conselheiro informal.

Hainess diz que a relação deles não era romântica ou sexual, mas Lufti era mais um invejoso do que um amante. Ele poderia apoiar num dia e viciante no outro, deixando mensagens de voz com mudanças extremas como “Você é um filho da puta imprestável” indo para “Eu te amo, cara. Eu te amo até a morte.” Lufti reservava a maior parte de sua energia para mensagens ameaçadoras e extorsão. “Todo mundo te odeia”, ele escreveu para Haines, sugerindo que Haines simplesmente se matasse. “Sério mesmo, pílulas para dormir, MUITAS delas...” (Lufti se negou a comentar a história.)

Quando Haines finalmente cortou a relação, Lufti o humilhou. Ele mandou e-mail para todos da família, amigos do trabalho e chefes, que continha fotos de Haines sem roupa. Então mandou mensagens de texto e ligava incansavelmente dizendo a Haines que ele esperava que sua irmã fosse “estuprada até a morte”, de acordo com um documento do tribunal. Em um e-mail sobre a mãe de Haines (“aquela vadia Mórmon”), Lufti escreve, “Eu espero que o Satã devore a carne e os ossos dela”, e diz que mal pode esperar o dia em que ele vai “mijar no túmulo dela.”

Esse tipo de comunicação fez Haines procurar por uma ordem de restrição, que também protege sua mãe de ter contato com Lufti. Poucos meses depois, Haines diz que Lufti chamou seu cunhado para dizer que conheceu uma celebridade que queria que Haines soubesse. Depois, Haines viu fotografias de Sam com Spears nos tablóides. Nessas fotos, Lufti estava vestindo uma camiseta que delineava o corpo e um boné de baseball que ele havia roubado de Haines.

Haines, em que a relação com Lufti foi o objeto de comentário de alguns blogs obscuros depois de que outra ordem de restrição para Lufti foi emitida em dezembro, disse que substancialmente ele recebeu um e-mail no endereço da irmã de Lufti, em que ele lia um aviso: “Um dos seus amigos está escrevendo para uma revista sobre sua história com o meu irmão... Eu não acho que essa seja a coisa certa a ser feita.” O aviso veio com tom de ameaça: “Aquelas fotos e sua história não são tão positivas assim e eu tenho certeza que você também não quer que virem públicas.”

Informados dos detalhes da história de Haines com Lufti, Jamie e Lynne Spears, que se recusaram a comentar sobre Lufti para a reportagem, expressaram grande preocupação para a Blender sobre o ainda corrente envolvimento da filha com este homem. Eles encorajaram Haines a vir a público com a história.

“Se Sam não está fazendo nada de ruim com Britney, se ele não está com medo de ser exposto”, Haines pergunta, “porque a irmã dele diria, ‘Não fale sobre o meu irmão e seu passado?’”

A PIOR PESSOA DO MUNDO

Britney mostrou ao menos um vestígio de sanidade quando, no sábado, 5 de janeiro, ela supostamente ignorou o “Dr. Phil” McGraw, o terapeuta da TV que apareceu de surpresa no Cedars Sinai Medical Center, e então falou sobre sua visita para o Entertainment Tonight. Mas até mesmo ele teria algum progresso com Lufti, que, Haines diz, descreveu-se como um “conselheiro sem licença” na audiência no tribunal que deu a ele uma ordem de restrição.

A simbologia entre estrelas e decadentes é uma atração antiga. A história raramente tem um final feliz (veja Anna Nicole Smith), e o talento sozinho não salva ninguém (veja Judy Garland). A história pessoal de Lufti adiciona um assustador elemento na péssima missão de tentar prever o destino de Britney.

Para vários observadores, o desfecho de Britney ganhou impulso para vir à tona. Uma rádio de Detroit anunciou, e depois cancelou, um concurso de “Quando Britney vai Se Suicidar”, convidando os ouvintes para acertar a data tendo como prêmio $1,000. Com se tivesse com vergonha de dançar em cima do túmulo, Perez Hilton tripudiou que seu Web Site a maior visitação da sua história com mais de 10 milhões de acessos no dia em que a popstar foi hospitalizada: “Obrigado, Britney!”

Outras vozes parecem ter pensamentos melhores. Apenas algumas semanas antes da internação de janeiro, Bonnie Fuller, diretor editorial da American Media Inc., que publica a Star Magazine, disse a Blender que “todos querem que ela melhore”. Então, perguntando qual foi a capa de revista de Britney que mais vendeu, Fuller responde, “BRITNEY ATINGE O FUNDO DO POÇO foi uma das melhores”, aparentando falar sem ironia.

“Eu acho que ela perdeu a maior parte da simpatia dos seus fãs”, Fuller continua. “Ela cometeu a traição final com seus fãs, quando ficou parecendo que ela era uma péssima mãe. Isso é algo que até o mais fanático fã tem problema em aceitar. Você sempre quer pensar que seu ídolo é essencialmente bom. Eles têm um mal-entendido ou podem ser mal orientados, podem ser vítimas de vícios de que eles não conseguem controlar, mas basicamente são boas pessoas.”

Britney fez de si mesmo o combustível dos tablóides fazendo ela mesma ter uma imagem de má pessoa. Mais do que isso: a pior pessoa possível. Não existem, aparentemente, limites para o número de razões pelo qual você pode odiá-la. Ela é irresponsável, preguiçosa, egoísta, arrogante, estúpida, relaxada e tão depravada quanto à maioria dos sub-humanos. (Paris Hilton a apelidou de “o animal”). Ela não se importa consigo mesma, e mesmo assim ainda pode fazer sexo com quem ela quiser. Ela revela suas próprias violações e convida você para uma orgia: “Eu não consigo me controlar / Eles querem mais / Então, eu vou dar mais a eles...” ela canta no Blackout.
Depois da catatônica performance de Britney com “Gimme More” no VMA, um pequeno vídeo chamado “Leave Britney Alone!” se tornou um grande hit no YouTube. Chris Crocker, um ator andrógeno do Tennessee, aparece no meio de uma crise nervosa, uma solitária voz chorando em defesa dela. Foi uma resposta para um vídeo postado uma semana antes, entitulado “Afastem-se, odiadores de Britney!”: “Eu não gosto de Britney quando ela está brilhando... Eu gosto de Britney quando ela parece uma mendiga. Eu gosto de Britney com suas extensões capilares, quando a música dela tá tocando. Eu gosto de Britney quando sua vagina está aparecendo... Porque eu amo BRIT.NEY.OK? Não pela pessoa. A pessoa. Eu amo Britney por razões reais. Eu amo Britney por Britney.”

Crocker, naturalmente, fez sua fama no YouTube virar um contrato para um reality show. Não há como saber o quanto seu discurso foi sincero ou encenação. Apesar do sentimentalismo, como todos os fãs de celebridades, ele precisa de uma correção: Chris Crocker não pode amar a Britney real, porque ele não conhece a Britney real.

Até mesmo pessoas que realmente conhecem a Britney real não a reconhecem mais. Seu antigo empresário Johnny Wright diz, “Eu não estou apontando dedos, mas eu não acredito que um dia ela acordou e disse, ‘Eu não quero ninguém da minha família, ou qualquer um que eu conhecia, tenha contato comigo novamente.’”

“As pessoas dizem que ela precisa ir pra reabilitação. Eu acho que ela só precisa de um amigo - alguém que não a venda para Hollywood, que não esteja procurando por pagamento. Alguém que ela confie para se erguer e arrebentar por ela.”

Quando Wright trabalhou com ela, Britney tinha uma assistente pessoal chamada Felicia Cullota. “Ela inicialmente foi uma amiga, e trabalhava por mixaria. Ela não tinha outro compromisso a não ser o bem-estar de Britney”, Wright diz.

Recentemente ele disse a ela, “Felicia, você precisa alcançá-la.” A resposta de Cullota veio em proporção ao isolamento de Britney, e um sinal do perigo. Ela disse: “Jonny, eles não me deixam entrar.”



Por: Michael Joseph Gross.
Tradução: Danilo Cipriano e Felipe Edoardo.
Scans: Felipe Edoardo.
 

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