Ela era a princesa do pop. Agora ela está dentro e fora de hospitais, clínicas de reabilitação e corte. Como Britney perdeu tudo.

Uma estrela no shopping é uma causa plena de felicidade, especialmente num domingo à tarde em Valey. Por um momento, os compradores do Westfield Tapaganga, estão vivendo no mundo real, monotonamente escolhendo uma nova cor de sombra para os olhos ou espirrando perfume no seu pulso para experimentá-lo, mas se dão de cara com a imagem de Britney Spears, eles estão rindo, cochichando, e ao mesmo momento compartilhando o seu segredo pelo telefone celular. “As pernas dela na verdade são finas”, uma adolescente fala cochichando enquanto Britney segue até a boutique de Betsey Johnson, um estilista pseudo-phunk de vestidos e sapatos altos para adolescentes. Pessoalmente, Britney está linda - pele limpa, lábios cor de rubi, uma perfeita boneca de porcelana de 26 anos vestida num tecido indecente. Ela passa pela multidão rapidamente, da mesma forma como fazia diante de 20.000 fãs que estavam a sua espera depois de um show, ela passou por todos acompanhada de seu namorado paparazzi, Adnan Ghalib, que a seguia.

 
Apenas algumas poucas crianças estavam na loja, uma garota com o seu irmão e duas loiras estavam olhando um bracelete falso de ouro. Britney entrou na loja pegando um vestido rosa, um pouco apertado e um top vermelho, o tipo de roupa que Britney costumava usar quando tinha 17 anos, mas não é muito apropriado para ninguém acima dessa idade. Então ela entrou no provador com Ghalib.

O cartão de crédito não passava, mas eles continuaram tentando. “Por favor”, Ghalib insiste, “termine isso logo”. Uma das garotas entra no provador onde Britney está e explica a situação pela cortina. “Vão se f*der essas vadias”, Britney grita cada palavra atrás da cortina. “Esses idiotas não sabem fazer nada direito!” Ghalib aparece para consolá-la, mas ela já estava resmungando, jogando uma lata de soda no chão, que respingou na cortina, e depois ela pegou uma caixa de tecidos e jogou em cima do local molhado. Um outro cartão finalmente passa, mais aí então, Britney sai pela porta deixando a sua blusa no chão e troca pelo seu top vermelho. “Vá se f*der, vai se f*der pessoal, f*da-se, f*da-se, f*da-se.” Ela continua gritando, seu rosto estava vermelho enquanto ela atravessa o interminável shopping gritando mais alto e mais alto. “Deixem-nos em paz”, Ghalib grita. Os curiosos correm atrás de Britney para colocar o vídeo no Youtube, e algumas mulheres do shopping correm para dar a ela a blusa que deixou para traz, alguns homens vestidos de preto e com seus nomes na roupa tentam acalmar a situação, mas a multidão que corre atrás de Britney apenas aumenta, e agora as meninas que estavam fazendo compras alcançam Britney, uma delas move-se rapidamente se equilibrando na sua plataforma, levantando as suas sobrancelhas para dirigir a palavra à Britney, “Umm, eu sou do sul também”, ela murmura, “e eu estava pensando se eu poderia tirar uma foto com você para a minha irmãzinha”. Britney se vira para Ghalib e pega no seu braço, “Eu não quero que ela fale comigo!” grita. Ela gira e olha profundamente nos olhos da menina, os seus lábios quase vibram de ódio, “Eu não sei quem você acha que eu sou, v*dia”, ela diz, “mas eu não sou essa pessoa”.

Se tiver alguma coisa que ficou clara no ano passado sobre o colapso de Britney - o maior problema público de uma celebridade na história - é que ela não quer nada com a pessoa que o mundo achou que ela era. Ela não é uma boa menina. Ela não é a queridinha da América. Ela é uma fumante nata que não faz as unhas e diz aos repórteres para que “vão se f*der” e grita com as pessoas que querem uma foto para sua irmãzinha mais nova. Ela não é alguém que possa viver como as regras básicas da sociedade - ela é alguém que quando teve o seu filho de um ano, e o de dois, tirados dela completamente, sem nenhum tipo de visitação, aparece na Corte Superior de Los Angeles para convencer o juiz de devolver as suas crianças, mas decide não entrar, e é alguém que fez isso duas vezes. Ela é uma celebridade perfeita em queda: Como o presidente Bush, ela só não deu um f*da-se, depois do que ela fez pelo menos nós não temos que limpar toda a besteira até o final de nossas vidas.

Se Britney era realmente quem nós acreditávamos que ela era - uma boneca, uma garota de cabelos loiros sem um pensamento legal na sua cabeça, provocante - nada disso jamais teria acontecido. Ela não é uma garota super inteligente. Mas ela é inteligente o suficiente para entender o que o mundo quer dela: que ela foi criada como uma virgem, e para perder a virgindade antes de nós, para a nossa diversão. Ela não tem vergonha da sua nova personalidade - ela quer que nós saibamos o que fizemos com ela. Enquanto não se torna verdadeiro o fato de que Britney sofre algum tipo de desordem, ou de que ela é uma usuária freqüente de drogas, como o próprio júri declarou, ou que ela é um código secreto ilimitado, não comete erros - ela está se divertindo com todo o caos que está criando. A aparência do seu rosto enquanto está circulando com o seu namorado paparazzo - um de nós, não se esqueça, ela está namorando - é normalmente pura felicidade. “Por anos, todos manipularam Britney”, diz um amigo próximo, “era sempre um joguinho. Se ela não quisesse sair do seu trailer, o representante viria falar comigo dizendo. ‘Por favor, converse com Britney, tenha certeza de que ela irá se apresentar, e nós a levaremos até o shopping’. Agora é a sua vez de se divertir.”

Mais do que qualquer outra estrela, hoje, Britney representa o ponto crucial da fama: ame isso, odeie isso e nunca deixe que isso seja capaz de parar de te destruir. Durante o ano passado, parecia diversas vezes que ela iria juntar todas essas coisa, mas aí então ela falha de novo. Ela começou com uma bomba - raspando a sua cabeça, atacando o carro de um paparazzo com um guarda-chuva - seguido de uma internação na clínica de reabilitação, um ensaio para revista onde deixou o seu cachorrinho evacuar numa roupa de $6,700... Uma investigação do Departamento de Serviços para famílias e crianças, a triste performance do VMA, e a sua hospitalização no dia três de janeiro. Nem Michael Jackson se destruiu até esse ponto onde ele esteve de frente à prisão. Antes da sua hospitalização, Britney se trancou no banheiro com o seu filho mais novo por três horas, vestindo apenas uma calça e discutindo com os guardas que tentaram dar para ela um cobertor, “Não me cubra”, ela disse, “Eu estou muito quente”, no sentido de temperatura, apesar da outra interpretação da palavra ser divertida. A assistente de Britney contou para a polícia que ela quer as suas “vitaminas”, não se sabe o tipo que ela está tomando.

Hoje, Britney está sozinha: arrogante, sofrendo de ansiedade e paranóica, ela perdeu a fé em todos: “Ela passa pelas pessoas como ela passa por cachorros”, diz um amigo próximo. “Existe um momento com todos onde ela pira e de repente diz, ‘eu não confio em você, eu não sei o que está acontecendo.’” Ela não tem um empresário, agente ou publicitário (Jive Records não fala mais diretamente com ela, e o publicitário da gravadora se recusou a participar deste artigo). Ela não tem um estilista, consultor de imagem, um empresário que resolva seus problemas ou um condutor. Ela afastou a sua família: seu pai e seu irmão, “Parece que todos os homens da minha vida não sabem como aceitar um amor verdadeiro de uma mulher”, ela explica, sua irmã Jamie Lynn, com quem ela conversou no telefone e é vista raramente, e, a sua mais importante, sua difícil mãe, Lynne, quem Britney considera venenosa. Famosa por escrever dois livros sobre a relação fabulosa com Britney, Lynne agora está desesperadamente tentando salvar a sua família, mas as suas tentativas falharam. Ela esteve por trás em vender as fotos de gravidez de Jamie Lynn para a revista OK! por 1 milhão de dólares e encorajou a visita do Dr. Phil com Britney na ala da psiquiatria da Cedars-Sinai Madical Center. Ironicamente, talvez seja a família de Britney que teve sucesso em mantê-la no controle agora, em colaboração com os médicos que aconselham que ela permaneça no hospital o mais breve possível até que as condições legais sejam afirmadas.

Britney não teve permissão para ver seus filhos em janeiro, e ainda não é previsto quando isso acontecerá. Dentro dos termos de separação, Kevin tinha direito a 1 milhão de dólares dos 30 milhões pertencentes a fortuna de Britney. Federline recebe $20,000 por mês, e a esperança dele é que continue tendo a parte integral da custódia - o seu advogado, Mark Vicent Kaplan, também está nesse caminho arquivando os documentos na corte. No seu caso legal, em outra parte da sua vida, Britney alienou todos esses tentando fazê-los ajudá-la - a sua advogada do divórcio Laura Wasser, a deixou há alguns meses atrás, e o seu atual time de advogados da empresa Trope & Trope fez um pedido, “Você pode contar para Britney todos os dias de que ela terá que seguir as ordens da corte para ter as suas crianças de volta, e ela irá lucidamente e racionalmente escutar o que você tem a dizer”, disse um advogado. “Mas existe uma desconexão, e ela irá rapidamente perguntar, ‘Por que ele precisa que eu vá depor para que eu seja a mãe dos meus filhos?’”

Existe um grupo de pessoas que amam Britney incondicionalmente, e cujo amor ela aceita: todo dia em Los Angeles, pelo menos cem paparazzi, repórteres e editores de revistas de celebridades correm atrás dela, essa perseguição maluca ao redor da cidade nos trajetos mais hilários e comuns - o posto de gasolina, a pet store, Starbucks, Rite Aid. A multibilionária economia da nova-mídia descansa nos cansados ombros de Britney, com agências de paparazzi estimando que ela seja responsável por mais de vinte por cento do lucro que obtiveram no último ano. Não são só pessoas irresponsáveis que correm atrás de Britney - um recente memorando emitido pelo Associated Press, que planeja adicionar vinte e dois repórteres de entretenimento em sua equipe, anuncia que tudo o que acontece com Britney vira notícia (eles já começaram a preparar o atestado de óbito dela). Os paparazzi alimentam as revistas de celebridades, que alimentam os jornais, enquanto fontes vendem seu mais sujo material para tablóides britâncios, e então as notícias voltam para a América. “Ela é de longe a pessoa sobre quem eu mais escrevi até hoje no meu website”, diz Perez Hilton. Harvey Levin, fundador do TMZ: “Nós levamos Britney Spears a sério. Ela é o nosso Presidente Bush.”

Essa multidão anda por toda a cidade seguindo os passos de Britney, cercando-a com seus blocos de notas e câmeras, e repassando as mais insanas especulações de saída a saída. Novos jogadores entram na corrida dourada em um minuto, com pessoas ao redor do mundo acompanhando o jogo: o novo jogador que mais chama a atenção é Sheeraz Hasan, um imigrante britânico-paquistão que recentemente fundou a Hollywood.tv com apoio de investidores para Sua Alteza de Dubai. Um devoto Muçulmano que pode ser encontrado na mesquita às sextas-feiras fazendo preces - e que também dirige uma Lamborghini - ele estava no hajj para a Mecca quando parou em uma cidade pequena ao lado de uma montanha para pedir um copo d'água, e lá ele viu um jornal, e na capa estava Britney. “Para mim parecia que ela era a estrela número um do mundo, e não Tom Cruise, nem Will Smith”, diz Hasan. “Tudo o que Britney faz vira notícia - Britney é vista no posto de gasolina, Britney se esquece de por leite em seu café - e tem uma guerra acontecendo, cara!” Hasan percebeu que era um chamado para que ele construísse uma agência de paparazzi e entrasse de vez na novela que tem Britney como personagem principal: “Com a bênção de Deus, minha agência está no AP, Entertainment Tonight e CNN. Ele segue adiante e confessa, “Eu vou levar a Paris à Dubai - o shaik disse que pagaria qualquer quantia de dinheiro que ela quiser - e a próxima que eu vou levar é Britney”, ele sussurra. “Ela pode ter sua própria ilha!”

Tentar conseguir uma entrevista com Britney é um outro nível de loucura: um amigo de um amigo me liga a um cara que diz que irá me apresentar a Britney, mas isso tem que acontecer imediatamente. O homem adianta que eu tenho que ter um contrato assinado da Rolling Stone, e que ele também vai querer dinheiro. Eu digo a ela para ir ao encontro. Uma hora depois, um cara charmoso e de boa aparência, Claus, pára no canto de uma rua de Beverly Hills - ele era o anfitrião da festa do aniversário de vinte e seis anos de Britney, com o evento em seu próprio estabelecimento, a Scandinavian Style Mansion (Paris Hilton e Sharon Stone compareceram). Ele é o tipo de cara que compra a butique de celebridades Kitson para abrir as portas para Britney às 2 da manhã, como ele fez em janeiro (em ainda outra imagem chocante de Britney, ela chegou de meia-arrastão e sem uma saia, sua calcinha branca visível manchada de sangue menstrual). Ele sai de um Porsche com uma camiseta em que está escrito: Dane-se a reabilitação! Parece ser uma camiseta nem um pouco irônica. Eu pego meu porta-laptop.



“É esse o contrato?”
ele pergunta, apontando para o porta-laptop. Ele se inclina, “Para a entrevista, você está oferecendo $2 milhões?”

Claro, eu tenho zero dólares para oferecê-lo, mas decido continuar jogando. Ele me diz para entrar em seu carro.

“Britney e eu somos muito, muito amigos”, diz Claus. “Esse é o meu contrato para ela, por um acordo milionário. Mas somos só mesmo amigos. Nós vamos sair de férias juntos em breve, num jatinho, para um lugar supersecreto.” Ele diminui a velocidade nas ruas sinuosas. “Eu estou tão cansado de todos nessa cidade achando que podem trazer as celebridades para seus eventos por um tubo de brilho labial grátis. Minhas celebridades ganham de graça peles e diamantes. Britney é uma rainha”, ele suspira. “Sabe, a mídia provavelmente fez uns $12 milhões com as fotos que tiraram de Britney na minha festa, e o que eu ganhei?” ele diz. “Alguém podia pelo menos me reembolsar pelo bolo de aniversário.”

Atualmente, Britney pode não se importar muito com o que nós pensamos sobre ela, mas quando ela era mais nova era só isso que importava. Britney era um tipo de bebê JonBenét, encorajada a entrar para o circuito de concursos cedo por Lynne, filha de um rígido leiteiro Batista e de uma esposa de nacionalidade diferente que se casou em meio à guerra com o sonho de escapar da vida da cidade no interior de Kentwood, Louisiana. Lynne se fixou na cidade de 2,200 habitantes com o pai de Britney, Jamie, um jovem rebelde que rangia os pneus de sua moto na frente do VFW e se divorciou de sua primeira esposa duas semanas antes de se casar com Lynne. A mãe dele cometeu suicídio quando ele tinha 14 anos. À uma hora de Nova Orleans, e a capital do leite até os anos setenta, Kentwood estava nos sombrios espasmas de uma hesitante economia durante a adolescência de Britney, com menos novos negócios abrindo do que uma companhia de engarrafamento de água mineral. Lynne trabalhou como professora da segunda série, e Jamie como contratante, com projetos em Memphis, algumas horas distante. Ele geralmente voltava para casa nos finais de semana e bebia muito. “Jamie está limpo agora, mas quando Britney estava crescendo ele era um viciado terrível”, diz um empresário anterior. “Ele é o produto de alguns genes muito ruins.”

Lynne se tornou fissurada em sua talentosa filha, em certo modo como uma maneira de aliviar um pouco da pressão familiar. Por volta dos três anos de idade, Britney foi inscrita no coral, aulas de dança e ginástica, e por volta dos seis anos ela havia ganhado o concurso de Miss Talent Central States. Com oito anos, filha e a mãe viajaram por oito horas para enfrentar uma audição para O Clube do Mickey Mouse. Ela era nova demais para o programa, apesar de Lynne ter tentado fingir que ela já tinha nove, mas Britney conquistou o diretor e ele a recomendou para um agente de Nova York. A família começou a ter problemas financeiros devido a uma redução no pagamento de Jamie, mas eles decidiram apostar todo o dinheiro que tinham mandando Britney para Manhattan. Durante os anos seguintes, ela e Lynne iriam dividir seu tempo entre Nova York e Kentwood enquanto Britney gravava comerciais, fazia um papel em uma peça da Broadway, Ruthless, e se apresentava no Star Search.

A família declarou falência antes que Britney alcançasse seu sonho: aos doze anos, ela conseguiu um papel no Clube do Mickey Mouse, juntamente a Christina Aguilera e Justin Timberlake.

Depois de crescer no mundo da Disney da adolescência casual, Britney aplicou suas habilidades em uma demografia bastante parecida com uma ligeira mudança do que a moderna adolescência poderia ser. Graças ao Gen Y boom, a música adolescente começou a explodir com os Backstreet Boys e as Spice Girls, a música perfeita para os otimistas pré-adolescentes americanos. Britney foi descoberta por Larry Rudolph, um advogado do entretenimento que se tornou empresário e que esteve no processo de lançamento do 'N'Sync com Johnny Wright, empresário do New Kids on the Block e dos Backstreet Boys. Eles mandaram Britney para a Suécia para gravar com o maestro sueco do pop Max Martin, que já tinha escrito seu futuro hit, “...Baby One More Time”. Então Britney voltou para seu dia Cristão na escola no Mississippi. Ela amou isso: ela praticava basquete e tinha um namorado bonito, Reg Jones. Segundo boatos, ela perdeu a virgindade com ele aos quatorze anos. (Britney nega isso.)

Se for verdade, esse é um segredo que ela não podia revelar , particularmente porque os planos de Rudolph incluíam o marketing dela como a Lolita adolescente dos sonhos dos homens de meia-idade.

Britney não é o docinho da América. Ela é uma coisa instável e gorda que fuma, não faz as unhas e grita com as pessoas que querem fotos dela.

Em janeiro de 1999, Britney emergiu nacionalmente com o clipe de “...Baby One More Time”, como uma garota católica no colegial, com presilhas de pompom rosa. O toque genial da criação dela foi que o single seguinte foi uma balada, com um vídeo dela dançando vestida em um conjunto branco em um pier: se tornando uma mulher desfrutável e depois voltando a passar imagem infantil, ela permitiu ao mundo respirar aliviado, já que sua atuação sedutora era apenas fingimento. Ela continuou. “Tudo o que eu fiz foi subir um pouco minha blusa!” ela disse à Rolling Stone. “Eu estou usando um sutiã esportivo por baixo. Claro, estou usando meias altas, mas crianças usam essas - é o estilo. Você viu na MTV - todas aquelas garotas de fio-dental?”

Na estrada, Britney era humilde - lavando a louça, lavando suas roupas, chamando as assistentes mais velhas de “senhora”. “Nós iríamos acordar Britney às 6 da manhã, e ela trabalharia em um clipe por três ou quatro dias, durante vinte horas por dia”, diz Abe Sarkisayan, seu motorista por cinco anos. “Ela era educada, generosa e doce, com um grande coração e nenhum mau hábito.” Uma inédita doce e feminina garota que escrevia bilhetes cheios de flores para os amigos, ria bastante e gostava de piadas práticas, Britney era quase comicamente inocente - ela gravou um cover de “Satisfaction”, mas quando se encontrou em um elevador com Mick Jagger, não fazia idéia de quem ele fosse.

Lynne manteve um papel de empresária pequeno durante os anos, mas ela desapareceu do lado de Britney, aproveitando sua nova riqueza e se apoiando na maquina-estrela que estava sendo preparada para Jamie Lynn, uma moleca mais interessada em seu carrinho motorizado do que em se tornar uma estrela. Jamie não estava presente. “Eu estava ficando chateado por Britney ter o pai ao redor dela”, diz um amigo. “Ele veio aos bastidores uma noite, e estava bêbado. Ela ficou péssima.” Britney diria aos amigos que o pai era emocionalmente abusivo, e em 2006 ela escreveu um poema sobre os “pecados do pai”: “A culpa que você lançou em mim/Me deixou fraca/O vudú que você fez/Eu não podia falar.”

O primeiro grande sopro para a imagem de garota de ouro de Britney foi o implante nos seios. De acordo com uma fonte, ela e Lynne tomaram a decisão de colocá-los, assim que a ascensão à fama demandou isso, mas a imprensa caiu em cima dela. (Britney negou ter colocado silicone.) “Quando Britney viu os jornais ela começou a chorar incontrolavelmente, perguntando, ‘Por que todo mundo está sendo tão cruel comigo?’” diz um amigo. “Foi muito doloroso para ela tornar público algo tão íntimo.” Britney se arrependeu de ter colocado implantes, particularmente porque os seios dela ainda estavam crescendo, e quando os seios naturais dela se tornaram maiores, ela removeu os implantes. “Quando outras garotas tinham peitos, os dela eram tipo, ‘É, eu tenho meus peitos, vamos em frente’, mas Britney foi levada a uma mentira sobre si mesma”, diz Darrin Henson, coreógrafo de vários clipes do primeiro álbum de Britney e de “Genie in a Bottle” de Christina Aguilera. Gradualmente, ela começou a perder sua confiança. “Britney saiu do palco depois de se apresentar em frente de 15 a 16.000 pessoas e começou a chorar porque achou que estava horrível”, diz Henson. “A garota não sabe quem ela é.”

“Por anos, todo mundo manipulou Britney”, diz um de seus amigos. “Agora é a vez dela de brincar.”

Os dois primeiros álbuns de Britney venderam mais de 39 milhões de cópias, fazendo dela parte da realeza do teen-pop, juntamente com os Backstreet Boys e o N'Sync, que faziam parte dos tops da história da Jive. Algumas pessoas da área diziam que Britney era nova demais para ser tão empurrada, e queriam que ela voltasse para Kentwood e voltasse a viver com as amigas. “Haviam reuniões em que as pessoas brigavam sobre os intervalos de descanso de Britney, mas no final a máquina sempre ganhava”, diz uma amiga. “Britney queria isso também, mas ela não tinha noção de quanto isso custaria.” Aqueles que questionavam muito eram colocados de lado. Mesmo embora ela tivesse uma imagem muito limpa, as coisas mudavam nos bastidores. “Haviam todos esses empresários de revistas de fofoca para Britney, que deixavam pessoas estranhas ao redor dela, oferecendo bebida e drogas, e ela achava aquilo divertido”, ela diz. “Se Britney quisesse sair para desestressar, era isso que a equipe dela queria que ela fizesse.”

O salvador de Britney foi Justin Timberlake, com quem ela começou a namorar em meados de 1999. “Justin tinha uma mente muito correta, e ele a resgatou daquele mundo”, diz um amigo. “Ele se tornou a maior força da vida dela, mas isso desencadeou em um padrão - ela começou a procurar caras que a ajudassem a fugir das pessoas que a controlam.” Mesmo embora Britney fosse uma das maiores estrelas do mundo e Timberlake ainda fosse só mais um cara do 'NSync, o poder de equilíbrio na relação dos dois era sólido. “Ela não competia por atenção”, diz um amigo próximo. “Ela só queria estar apaixonada por ele.” Mais uma vez, seu empresário a deu instruções: o namoro deveria ser mantido em sigilo, e os dois deveriam dizer a todos que planejavam manter a abstinência até o casamento. “Eles estavam sempre correndo, um para o ônibus do outro, e uma noite Justin saiu do ônibus dela e me disse, ‘Cara, cheire os meu dedos’”, diz Henson. “Justin dormiu com ela naquela noite.” Isso foi um ano antes de eles admitirem publicamente que estavam namorando.

Embora o mundo pensasse que Britney era uma virgem inocente para as câmeras, ela sempre pedia para aparecer mais sensual, o que ela achava que a faria parecer mais madura. Na época que ela era mais nova, Lynne e Jamie a deixavam andar pela casa sem roupa. “Toda garota na América estava vestindo tops cortados e shorts curtos, e Britney sentia que estava sendo deixada para trás”, diz um amigo. “Ela brincava que queria fazer clipes de topless.” Os empresários dela não queriam assustar os fãs. “Esses caras de meia-idade estavam tão obcecados por ela não ser sexualmente ativa que a empurraram de outra maneira”, diz um amigo. “Eles diziam a ela que queriam vê-la de sutiã ou com um batom mais escuro. Eles estavam literalmente babando por ela.”

Com o terceiro álbum dela, disseram a Britney que ela poderia mudar - um pouco. Era a hora de entrar na fase “Not a Girl, Not Yet a Woman”, mas ela estava pronta para deixar isso tudo para trás. Todos os dançarinos gays e estilistas estavam sempre tendo conversas mais quentes ao redor dela nos bastidores, e um dia Britney explodiu: “Deus, eu quero fazer sexo gostoso também! Eu quero me acabar, sexo quente!” O colaborador criativo primário de sua turnê, o coreógrafo Wade Robson, concordou que já era a hora de ela se desenvolver, e ela ganhou sua nova imagem colocando a cobra proverbial ao redor do pescoço enquanto se apresentava com “I'm a Slave 4 U” no VMA 2001. Sua curiosidade sexual pegou o melhor dela, e rumores de que ela havia começado a dormir com Robson surgiram, com quem Timberlake escreveu “Pop”, na época do 'NSync. (Tanto Britney como Robson negaram o affair.) Em fevereiro de 2002, Tmberlake encontrou um bilhete amassado de Robson no quarto de Britney. Britney e Timberlake estavam se apresentando no Saturday Night Live naquela noite, e eles se encontraram nos bastidores, tristes - ele recusou aceitar as desculpas dela. O rompimento foi um choque horrível, particularmente porque foi seguido pelo divórcio dos pais de Britney, dois meses depois. “Ninguém se incomodou em dizer a Britney, ‘Vamos tirar um tempo para descansar, vamos dar alguns conselhos a você’” diz um ex-assistente de empresário.“Eles esperavam que ela tivesse tudo em ordem, que estivesse sempre preparada.”



Britney percebeu que a máquina não iria trazê-la mais satisfação - ela precisava de um homem. Ela começou a procurar desesperadamente por amor em nightclubs com caras inapropriados como Colin Farrell e no estúdio, mais notavelmente com Fred Durst, que traiu a confiança dela revelando seus segredos no The Howard Stern Show. Sem um forte senso de personalidade, ela se levava pelas características de quem fosse que estivesse ao redor dela no momento, e depois do beijo com Madonna no VMA 2003, ela decidiu que elas eram almas gêmeas. “Britney e Madonna se tornaram amigas depois da performance, e ela começou a pensar que era a Madonna”, diz um ex-empresário. “Ela disse, ‘Madonna é responsável pela própria carreira, eu posso fazer isso.’ Mas Madonna não precisa que ninguém diga o que ela vai fazer. Britney precisa.” (Britney sobre Madonna: “Talvez ela tenha sido meu marido numa outra vida.”)

Britney voltou para Kentwood no Natal de 2003, ficando em uma pequena casa na propriedade dos pais dela com antigos amigos, incluindo o amigo de infância Jason Alexander, um estudante da Universidade do Sudeste da Louisiana. Depois de brigar com Lynne em uma certa manhã, ela levou os amigos de avião para três dias de agito em Las Vegas - cocaína durante a noite, Ecstasy de manhã cedo e Xanax para dormir, de acordo com Alexander. Às 3:30 da manhã do dia 3 de janeiro de 2004, depois de ter assistido “O Massacre da Serra Elétrica”, ela e Alexandre pegaram uma Limousine para a Little White Wedding Chapel, onde ela colocou uma liga branca por cima do jeans rasgado que usava e segurou um pequeno bouquet de rosas de papel para um casamento que custou quarenta dólares. Onze horas depois, os dois ligaram para os pais para das as novas notícias. Lynne imediatamente foi para Las Vegas, o casal foi separado, e os advogados trabalharam para anular o casamento. Levado para casa com uma falsa promessa de que Britney queria ficar com ele, Alexander ganhou o olhar da mídia e saiu da faculdade.

Essa era para ser a nova Britney, e ela ficou genuinamente decepcionada, usando uma aliança em desafio. Lynne tentou contornar os problemas ao redor da filha furiosa, mantendo-a em Kentwood no dia do Grammy e levando-a à igreja em vez disso, mas dentro de poucos meses, a estrada chamou - Britney voltou a fazer turnê com o “In The Zone”, um álbum muito mais maduro com músicas sobre seu sexo matinal e masturbação. Na época em que ela gravou o clipe da balada “Everytime”, ela estava enterrada em depressão: o conceito dela era morrer em uma banheira cheia com pílulas e bebida ao redor, e ser reencarnada como um bebê. Haviam demônios com os quais ela estava lutando, e ela queria que todos soubessem disso. A Jive insistiu em modo diferente de morte, então ela fugiu dos paparazzi antes de se afogar na banheira. Britney estava calma no primeiro dia de gravação, mas no segundo, ela recusava sair do seu quarto no hotel. “Finalmente, Britney concordou em fazer, mas primeiro ela disse, ‘Eu preciso de três Red Bulls, e liguem para o meu médico’”, diz um amigo.

Ela encontrou sua alma gêmea algumas semanas mais tarde, na pista de dança: Kevin Federline, um garoto branco de 25 anos que já tinha sido dançarino de Timberlake, um desistente do Ensino Médio e nascido em Fresno, Califórnia, mecânico de carros com um filho com a namorada, Shar Jackson, e outro a caminho. Apelidado de “Poste de Carne”, ele já era uma figura conhecida na noite de Los Angeles, e um cara que devia: antes de conhecer Britney, o carro de Federline havia sido pego de volta por não ter sido pago.

Britney ficou presa a ele – “parte disso foi porque ela queria um cafetão para contradizer com Justin, pegar essa ‘mancha’ e esfregar na cara de Justin”, diz um amigo - e o convidou para ir com ela em sua turnê, onde eles fizeram tatuagem de ‘dados’ em seus pulsos e ficavam se filmando compulsivamente com câmeras de vídeo, que daria origem ao seu reality show, Chaotic. Com nada mais em sua mente, Britney ficou aliviada quando teve problemas com seu joelhos no meio da turnê, e a Jive anunciou que os médicos prescreveram quatro meses de descanso. Mas na semana seguinte, ela pediu para ele se casar com ela (ele recusou, chocado, a pediu em casamento minutos depois), e eles se juntaram imediatamente, com um picante agasalho para as madrinhas (na cor rosa) e para os padrinhos (na cor branca) com bordados que mostravam CRIADA e CAFETÃO.

Duas semanas depois do casamento, Britney demitiu seu empresário, Rudolph e Lynne. “Kevin convenceu Britney de que ele iria cuidar dos rumos da vida dela, e que eles iriam planejar os seus negócios juntos”, diz um amigo. A vida dos dois passou a ser cuidar de negócios: Eles venderam as fotos do casamento para a revista People por $1 milhão de dólares, e Britney iniciou um diário em seu Web Site, cobrando 25 dólares por membro cadastrado. Ela teve dois filhos rapidamente - Sean Preston, um ano depois em que ela e Kevin Federline se casaram (as fotos do bebê também foram vendidas por $1 milhão para a revista People), e Jayden, um ano depois (ela o manteu debaixo de agasalho por meses, na esperança de um grande pagamento pelas fotos, mas um paparazzo o fotografou com ela em uma praia em Maui, Hawaii). O interesse na carreira musical era mínimo. Ela gravou três músicas em três anos.

Federline deu a Britney a licença para seguir seu lado “trash” - entrar em banheiros de postos de gasolina descalça, jogar cinzas de cigarro por janelas de hotéis, usar blusas inovadoras como “I'm A Virgin, But This Is An Old T-Shirt” (Eu sou virgem, mas essa camisa é velha) e, o mais notável, não colocar as crianças nos acentos dentro do carro. Mas ele gostava da vida de alto nível, comprando uma Ferrari prateada no valor e $250.000 marcada com suas iniciais e ficando drogado no estúdio em sua casa enquanto gravava seu álbum de rap. “Kevin não se impôs e foi um homem para Britney na relação”, diz uma amigo próxima da relação. “Ele foi um garoto para ela, virou as costas para ela em pró dos seus ‘irmãos’ e da fama.” Ele a fez sentir algumas das suas antigas inseguranças - solidão, medo e abandono - então ela começou a sair para festas e a cair num espiral profundo de novo, atribuindo suas crises de choro a depressão pós-parto. “Quando Britney teve filho, esse deveria ser o fim de todos os seus atos selvagens, mas não foi”, disse um amigo de Federline. “Ela se tornou uma pessoa que só queria ouvir ‘sim’, e se você não fosse dizer isso, que saísse da frente dela.”

Britney pediu o divórcio via mensagem de texto em Novembro de 2006. (A resposta dele: rabiscada na parade do banheiro de uma boate, “Hoje eu sou um homem livre - foda-se a esposa, dê-me meus filhos - vadia!”) Ela recontratou Larry Rudolph imediatamente, e ele a levou para para um passeio de patins no gelo no Rockefeller Center em Manhattan para serem fotografados. Mas ela não estava pronta para ser uma garotinha de novo. Noite após noite ela parecia em Los Angeles cada vez mais perdida, vomitando em público, trocando de roupa com uma stripper de danceteria, e, talvez o mais perigoso de todos, saindo com Paris Hilton (apelido de Paris para Britney: O Animal, porque ela não pensava antes de agir).

O Animal teve que ir para a reabilitação: “Crossroads” de Eric Clapton, em Antigua, mas ela saiu um dia depois, voando para Miami e então um vôo para Los Angeles para ver sua família. Ela chegou à casa de Federline para ver seus filhos, mas ele uniu forças com Lynne e Rudolph e não falariam com ela até que ela entrasse na clínica de reabilitação de Malibu ‘Promises’. Ela circulou sua casa cerca de três vezes, furiosa a ceder a pressão, antes de entrar num salão no Valley e raspar sua própria cabeça, mais como uma penitência do que como uma libertação. Então ela ficou acordada por mais de 48 horas, dirigindo sem rumo, tomando vários Red Bulls, com medo de estar sendo seguida por demônios, ou que seu telefone celular estava captando seus pensamentos, e procurando obsessivamente notícias no rádio sobre a morte Anna Nicole Smith que aconteceu no começo do mês. Aquela foi a destruição dela - ela declarou - e ela era a próxima.

Depois da reabilitação, Britney ficou profundamente irritada cortou relações com toda e qualquer pessoa que colaborou para que isso acontecesse - seus pais, Rudolph, e até antigos grandes amigos. Ela reclamou dizendo não ter nenhum problema com drogas, e parou de retornar ligações dos seus conhecidos ‘desleais’, mudando seu número de telefone. “Ela era a rainha dos movimentos fantasmas”, diz Keri Hilson, que fez os vocais de apoio e co-escreveu “Gimme More”. “Ela poderia estar na cabine num momento, então quando a segurança ia pegá-la, nós não sabíamos que ela tinha ido embora.” O antigo segurança de Britney disse em entrevista a um tablóide britânico que ela sofreu uma quase-overdose com o cantor e compositor Howie Day, que ela conheceu na Promises, em hotel de Los Angeles - o quarto era uma porcaria, com um cano de vidro ao lado de uma substância branca que o segurança dizia ser cocaína.

A Jive estava cautelosa em anunciar Britney no MTV Video Music Awards 2007, mas era uma forma de promoção muito boa para deixar passar. Britney assinou um novo contrato com a empresa de empresariado The Firm e começou a trabalhar algumas vezes por semana. No dia do show ela chegou cedo ao local. Timberlake estava ensaiando. De repente, sua cara caiu, e ela começou a ficar descontrolada, nervosa, com medo - o que ele iria pensar da sua performance? E o resto das pessoas? Ela foi até o backstage e estava se aprontando quando Timberlake bate na porta. Ela se recusou a sair. Ela ainda não queria vê-lo. Em pouco tempo, ela iria colocar seu cabelo, e talvez assim ela se sentisse melhor. Havia uma peruca esperando por ela, feita pelo famosíssimo cabeleireiro Ken Pavés, que criou os falsos cachos de Jessica Simpson - haviam passado apenas 7 meses desde que Britney raspou a cabeça, e seu cabelo real tinha menos de 6 centímetros. Tudo que ela teria de fazer era ficar sentada durante à tarde para que a peruca fosse colocada, peça por peça, ficar bem quieta por uma hora até estar pronta para ir para o palco, onde ela poderia ser a antiga Britney de novo.

De repente, Britney diz que ela não queria que Pavés a tocasse. Ela queria que sua assistente fizesse o trabalho, mas a assistente não quis trair Pavés. O cabeleireiro das Divas deu meia volta e foi embora, fazendo com que a Firm o bajulasse, enquanto tentava convencer Britney que ela precisava mudar de idéia. Quando ela finalmente cedeu e deixou Pavés cuidar do cabelo, cerca de uma hora antes do show, era muito tarde para colocar a peruca, então alguém roubou o estilista de Nelly Furtado, que colocou alguns pedaços de cabelos loiros. Britney se sentou para isso em seu biquini brilhante, e então levantou para colocar o resto da roupa, um espartilho no estipo Posh-Spice. Então ela decidiu tirar o espartilho, se recusando a vesti-lo de novo. Ela queria ir ao palco sem nenhum artifício, o mais nua possível, para que todos pudessem amá-la do jeito que ela realmente era.
 

NA BEIRA DE MULHOLLAND

O impulso é a ousadia da borda, uma vertiginosa queda para a destruição. A casa de Britney está situada num pico, arqueada pelo brilho da cidade. É um dia chuvoso da semana, dois meses depois do VMA. Ela sabe que estragou sua performance - posteriormente, ela continuou perguntado, ‘Eu fui terrível? Eu fui terrível?’ diz um amigo. “É assim que funciona com ela: É circular, pensamento maníaco” - e devido a ela não estar fazendo nenhuma promoção para o Blackout, a não ser por uma entrevista de 7 minutos com a KISS-FM, não tem muita coisa acontecendo. The Firm desistiu de administrá-la, sem ter nenhum lucro, porque eles não estavam aptos a falar com ela diretamente: O telefone dela agora atendido por Osamah Lufti, também conhecido como Sam, um jovem de 33 anos que um amigo de Britney descreve como seu “orientador de vida”. Eles se conheceram numa festa em 2007, ele chamou a então assistente na época, Kalie Machado, para se encontrarem na Starbucks de Santa Monica. De acordo com Machado, Lufti disse que trabalhava secretamente para Federline, e que ele sabia que havia uma escuta no telefone de Britney e uma autorização para revistar a casa dela em busca de drogas. (O representante de Federline negou qualquer ligação). Lufti já tinha duas ordens de restrição contra ele por assédio.



É Lufti quem fica em companhia de Britney com o passar dos meses, atuando como seu assistente e tentando ser seu empresário, falando com sua gravadora e dirigindo com ela pela cidade. Houve constantes colapsos com pessoas que venderam Britney para as revistas de celebridade - a assistente que ela se esqueceu de pagar, o ex-segurança que diz ter a visto usar cocaína e andar frequentemente nua pela casa, o garoto de colegial de 21 anos que ela saiu fazendo top less na cobertura de um hotel nos subúrbios de Los Angeles. Novos rumores surgem a cada dia: que ela colocava Soda na mamadeira dos filhos (cujo os dentes ela pediu para o detista fazer branqueamento), sua escolha de bebida pesada comum na cena rap do sulista “Purple Monster” (vodka, Red Bull, e Nyquil), e que ela ter um quarto sexual secreto em Beverly Hills onde ela tem objetos de tortura sexual dentro de um jarro de vidro e um largo e profundo recipiente com loções e brinquedos sexuais (que ela chama de “baú do prazer”). Nesse estado de ‘combatente’, Britney se tornou reclusa, de certa maneira - ela nunca saia pra jantar ou para boates, passando a maior parte das suas noites no Four Seasons em Beverly Hills.

Em quatro semanas, ela dormiu lá quase todos os dias, com Lufti muitas vezes na parte de baixo do hotel, como muita gente que faz parte dessa história - o tapete vermelho da recepção se tornou o centro de operações de Britney, com repórteres, paparazzi e advogados do caso da custódia esperando se encontrar com ela na esperança de que o assunto do desejo de todos fosse discutido entre um passeio e outro. O bar parecia a Liga das Nações, com caras de várias etnias, e todo mundo trabalhando muito a sério no seu objetivo. Eu tomei café em ocasiões diferentes com dois homens da equipe de advogados de Kevin Federline: Aaron Cohen, um antigo soldado Israelense, que entregou intimações a alguns amigos de Britney, incluindo Lufti - enquanto trabalhava regularmente também como membro da SWAT, treinando os soldados em técnicas israelitas anti-terrorismo. “Com Britney, eu penetrei no mais íntimo círculo de Hollywood” ele me diz. “Não foi diferente das técnicas de anti-terrorismo, em que eu trabalho com os dois lados, amigos e inimigos.” Eu também conheci Michael Sands, a conexão de de Kaplan com a mídia, que me deu um chaveiro com uma estampa do Pentágono, um broche do FBI e outro da CIA, e uma moeda comemorativa da Marinha - que faz pensar que ele trabalha para uma ou todas essas agências. O rumor que pairava era que o governo estava procurando por Lufti, com curiosidade para saber de conexões suas com Sauditas.

Um amigo dinamarquês de Britney fez uma aparição no Four Seasons também, com dois companheiros de negócios. Eles queriam falar comigo sobre os $2 milhões de dólares, que agora, por alguma razão, todos falavam como $1 milhão. Seria assim que funcionaria, eles explicaram: Eu daria a eles o dinheiro, e o dinheiro seria assegurado por um título. Britney saberia que não receberia nenhum dinheiro até completar a entrevista e o a sessão de fotos (eles ganhariam 10% como intermediários, ela aparecendo ou não). Eles estariam na sessão de fotos, para ter certeza de que Britney estaria feliz - Eu teria de levar cinco fotógrafos, cinco estilistas, e cinco maquiadores caso ela não levasse. Eles faziam isso todo o tempo: eles levaram Paris Hilton até Moscow, e fizeram o acordo de Britney na Virada do Ano na boate Pure, em Las Vegas, aquela em que ela desmaiou. “Meu pessoal estava por trás dela, segurando-a durante a noite” diz um cara.
Ryan Seacrest para na mesa. “E aí, caras, como estão?” ele pergunta.
“Nós fizemos com Ryan por $3 milhões ano passado”, eles disseram depois que ele saiu. “São todos amigos, muito amigáveis.”
Na noite seguinte, Claus, outra vez em sua camisa FUCK REHAB!, tinha um novo plano: Ele ia dizer a Britney que ele ia dar a ela $1 milhão. Eu daria o $1 milhão pra ele ele daria o $1 milhão para ela. “Dessa maneira, ninguém nunca vai saber que a ROLLING STONE decidiu pagar a Rainha Britney”, ele diz. Ele é muito prazeroso. Ele liga para Sam para contar a ele. “Sam disse que a OK! Magazine vai pagar $2 milhões por uma entrevista com Britney”, ele diz.

Claus se retira para o Citizen Smith, um bar de rock em Hollywood, para conhecer Lufti e a prima de Britney de 26 anos, Alli Sims - uma ingênua com esperanças de lançar seu próprio album. É o aniversário de Jason Kennedy, um repórter da E! que pode ou não estar saindo com Sims.

“Nós realmente queremos alguém para dizer a verdade”, diz Sims.
“Britney é mesmo uma boa garota.” Ela contorce seu rosto, pensando em boas coisas para dizer. “Britney nunca fala mal de ninguém nas suas costas, nunca, sério mesmo”, ela diz.
“Essa é uma das melhores características dela”, concorda Sam Lufti. Ele se vira para mim. “Só para você entender uma coisa, ela realmente não precisa fazer mais alguma coisa em sua vida. A grande coisa dela comigo é que ela não quer que eu a defenda das grandes mentiras das revistas. Mas ela entende que é dessa maneira que eles fazem dinheiro, porque é o jeito que ela faz o dela também. Ela realmente não se importa mais.”

“Nós vamos precisar pré-aprovar todo o artigo”, diz Claus.

“E também, Britney tem um amigo que é fotógrafo que nós queremos que tire essas fotos”, diz Lufti. Ele pensa por um momento. “Sabe, isso é muito mais do que um artigo de revista - nós estaremos fazendo um ditado, ela vem me contando a história de sua vida, eu tenho escrito sobre tudo isso. Poderá ser um grande livro!”

É 1:30 da manhã e o bar está fechando. As luzes se apagam e nós nos abraçamos ao nos despedir.

Depois de explicar para Claus de que não havia dinheiro, eu escrevi para Lufti várias vezes, explicando que nós ainda estávamos muito interessados em entrevistar Britney e mostrar o lado dela da história. Sem resposta.

Enquanto 2007 acabava, Britney começou a realmente aproveitar a caçada dos paparazzi. Ela corria pela cidade por 2 ou 3 horas por dia, levando os paparazzi vagamente para lugares onde ela poderia interagir com eles um pouco, e então voltar para o carro. Uma caçada a Britney é muito mais divertida que uma montanha russa, mas com a chance de a experiência causar mal duradouro. “Britney é o mais perigoso detalhe de Hollywood”, diz Levin do TMZ.
 
Existem 20 paparazzi na cola dos detalhes de Britney, um grupo de hilários, levemente assustadores assassinos que usam a experiência em cortadas de carro para bloquear quem tenta entrar nesse círculo. É como um jogo, onde todo mundo tenta ser o primeiro carro atrás de Britney, o melhor a fotografar todos os detalhes quando ela para (e então vigiar os pés, porque vários tiveram os pés atropelados por ela quando ela dá saída). “Ela é louca”, diz Craig Williams, um fotógrafo do Hollywood.tv. Williams, antigo ritmista da Death Row Records com uma longa trança nas costas, e múltiplos anéis de prata nos dedos, fica na frente na maioria das vezes seguindo a Mercedes SL65 dela. A maioria dos paparazzi dirigem automóveis alugados, a maioria com batidas ao lado e barulhentos, porque ninguém quer seu carro de verdade estragado. Uma bolsa de plástico balança da porta para a mala no automóvel de frente para nós - o paparazzo esteve usando isso como lixo e esqueceu de esvaziar.

Britney vai para o caminho que a leva à sua casa, e Williams espera na rua. Ele coloca Blackout no seu CD player. “Vamos chamar a Britney”, ele diz. “Ela vai voltar logo depois de usar suas drogas ou trocar de roupa, seja lá o que ela quer fazer primeiro”, ele brinca, acendendo um cigarro. “Ela não foi perseguida o suficiente hoje.”

Uma hora depois, a Mercedes branca chega em velocidade, e fica: em cima e em baixo do Coldwater Canyon e no meio do Mulholland Drive por uma hora, com os paparazzi correndo atrás. Depois ela dá meia volta pela contra-mão e vai exatamente para o lugar de onde veio. Os outros carros se perdem enquanto ela circula o supermercado Ralphs duas vezes, pega a assistente na Starbucks e avança um sinal vermelho. Williams pega sua câmera de vídeo.

Ela acena. “Hey, Brit, eu ouvi aquele novo álbum”, diz Williams. “É incrível! Bom álbum. Bom trabalho. Os vocais estavam controlados, garota.”

“Eu sei”, Britney grita. “Eu sou foda.”

Williams ri. “Você é foda!”

“Eu sei disso, meu bem”, ela grita, com um sorriso de canto de boca. “É difícil ser quente assim.”

“Me diga sobre isso”, diz Williams, rindo. “É a Britney vadia!”

Esse tipo de flerte acontece diariamente, e ela começa a se interessar por um cara - de todos os caras, Adnan Ghalib é o mais sexy, e ela sabe disso. Ele é um britânico-afegão que diz que já brigou pelo Mujahdeen e tem as cicatrizes das balas para provar, um homem quente de vinte e cinco anos que usa óculos escuros Gucci (de longe mais atraente do que parece nas notícias). Uma vez Britney o chamou no banheiro de uma Quiznos; a esposa dele já pediu a separação legal, e ele já disse que planeja se casar com Britney e engravidá-la. O inimaginável acontece exatamente uma noite antes do Natal, quando ela decide que já está cansada de ficar sozinha - ela se dirige até a estrada da Costa Pacífica, pula no carro de Ghalib, coloca sua peruca rosa e leva-o ao hotel Peninsula para um “almoço” atrasado, como ela chamou isso.

Durante os últimos anos, Britney arranjou amigos que a ajudassem a fugir, deixar tudo para trás e se tornar uma estilista ou professora de primário, ou se mudar para uma ilha onde ela possa trabalhar como garçonete de um bar. Ghalib a ajuda a fazer seu gol, tirando os paparazzi de semanas em violentas, terríveis perseguições. O relacionamento está apenas começando a ser construído quando Britney é levada ao hospital pela primeira vez, e assim que ela sai, Ghalib foge com ela para cruzar a Costa Oeste, ouvindo a música favorita deles no carro (dela: Dixie Chicks e Janet Jackson; dele: System of a Down), fazendo paradas no Palm Springs e México com seu amigo, um paparazzo que atiraria neles dois por uma foto exclusiva para a então-agência de Ghalib. As outras agências estão tendo ataques nervosos. Ghalib fala ao telefone com a Rolling Stone porque é um fã da revista. “Você tem que entender uma coisa sobre Britney”, ele diz, defendendo seu lado da história. “As pessoas se apoiaram nela. Eles só iam lá quando a coisa era boa. Ela se tornou um personagem - ela age de um certo jeito para que as pessoas não achem que ela é inteligente, então as pessoas oferecem ajuda, e aí ela pode se informar sobre o que está acontecendo. Não é com os blogs ou revistas ou com as pessoas nas ruas que ela se importa. Ela sabe que as pessoas que tinham responsabilidade para apoiá-la caíram fora e ela ficou muito magoada com esses atos.”

A guerra se inicia entre Ghalib e Lufti pelo controle de Britney, e no dia 20 de janeiro, quando Ghalib vai para um funeral no norte da Califórnia, Lufti convida alguns paparazzi de uma agência amiga, X17, para entrar na casa de Britney, e mostra a eles o que ele disse ser uma ordem de restrição contra Ghalib. “Ele dobrou o papel para que eles não pudessem ver o que ele estava mostrando”, diz Ghalib, rindo timidamente. “Eu vou te dar isso, ele é bom, ele é muito bom no que faz.” Lufti espalhou rumores de que Ghalib dorme no sofá quando está na casa de Britney. Um paparazzo conseguiu a seguinte mensagem: Lufti escreve, “Você é um psicopata maníaco. Se você continuar tendo qualquer contato com ela, você irá matá-la. A decisão é sua.”

Britney se encontra exatamente onde ela costumava estar: novamente, existe controle, pressão, brigas. Ela discute com Lufti, e Ghalib entra na história para salvá-la, mas Lufti chama a segurança para expulsá-lo da propriedade. Lynne chega, correndo atrás da filha ao redor da cidade, e Britney começa a ficar fora de controle, permanecendo acordada por sessenta horas seguidas. No dia 30 de janeiro, ela chega de volta em casa depois de um dia no Hotel Beverly Hills, e se encontra com um psiquiatra, de acordo com a X17. Eles colocam nas notícias às 11 da noite: ela tentou suicídio.



Setenta e cinco paparazzi se aglomeram ao redor da entrada do condomínio fechado de Britney, congelando os pés numa noite fria de inverno, enquanto um helicóptero da polícia sobrevoa o local. “Você não quer que uma ambulância chegue com uma maca e perder isso”, diz um fotógrafo francês, checando sua bateria. Esses caras estão cansando disso depois que aquilo tudo aconteceu. “Cara, a Britney não pode morrer, porque se isso acontecer eu não tenho como ganhar dinheiro!” diz um cara com boné de baseball. Alguém começa a correr pelo quarteirão, e todos correm atrás dele; eles se escondem em uma rua de acesso e riem quando todos fazem a mesma coisa. Embora ela não pareça alguém que tenha tentado suicídio, os médicos estão a caminho novamente: Polícia e paramédicos descem das viaturas para os caminhos que levam à casa, o rádio diz que mais vinte policiais estão a caminho e a levam (o apelido dela: “O Pacote”) sem que nenhum paparazzo tenha tirado uma única foto. No dia seguinte, os pais dela entram com o pedido de uma ordem de restrição contra Sam Lufti.

Um mundo sem Britney, onde ela está à parte na reabilitação ou num centro psiquiátrico, é difícil de ser concebido: ela é a principal fonte de atração da nossa cultura, a representação mais vívida do excesso da década passada. Ela não pensou que haveria futuro pior reservado para ela, e nem nós pensamos. Depois de ter culpado todo mundo por seus problemas, Britney finalmente está começando a perceber o nível no qual ela está perdida, mas seu senso de direito a afasta da possibilidade de admitir isso para si mesma, ou para qualquer um que está tentando ajudá-la. Nós queremos que ela sobreviva e dê a volta por cima, que se envolva com alguém que possa nos deixar orgulhosos novamente. Ou talvez, nós simplesmente não queiramos que o show termine. “Olhe para George Foreman: ele é o maior campeão de pesos pesados de todos” , diz Ghalib. “É isso que Britney vai ser. Ela me disse bem claramente: ela se recusa a viver a vida dela baseado no que os outros pensam.” Então ele fica bastante quieto. “Sejam gentis com ela”, ele diz. “É um pedido pessoal.”



Por Vanessa Grigoriadis (Rolling Stone).
Tradução: Danilo Cipriano, Gustavo Lemos e Juliana Martins.
Scans: Felipe Edoardo.
 

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